O caos do governo

Pela primeira vez na história do Brasil, o governo enviou para o Congresso uma proposta de Lei Orçamentária Anual com a previsão de um déficit acima de R$ 30 bilhões para o ano de 2016. Ou seja: o governo está dizendo que quer gastar mais do que pretende arrecadar. É como se uma família decidisse que vai gastar mais do que tem de recursos e vai se endividar de propósito.

Mas, segundo uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a LOA é a lei mais importante depois da Constituição e, por isso, não pode ser desrespeitada. O governo tentou justificar o envio do “orçamento desequilibrado” com a desculpa de que quer dar mais “transparência” às suas contas. Mentira. O que o governo quer, na verdade, é que o Congresso aceite a criação de novos impostos para cobrir o rombo no seu Orçamento. Antes de apresentar mais essa palhaçada, o governo mandou seus papagaios falarem na recriação da malfadada CPMF, aquele imposto do cheque. Como a gritaria contra foi tão grande, eles simplesmente abafaram a ideia. Afinal, ninguém aguenta pagar mais impostos sem receber serviços públicos à altura.

A presidente Dilma Rousseff até andou falando que vai cortar dez dos seus 39 ministérios e que irá demitir alguns milhares de parasitas do governo. Mas, até agora, nada. A verdade é que esse governo está um caos e é a população que está pagando o pato. Literalmente. Se não, vejamos. A taxa de juros do cartão de crédito chegou a 395,3% ao ano. Já a taxa de juros do cheque especial chegou a 246,9% ao ano. Quem aguenta isso?

Ao mesmo tempo, o governo quer mudar as regras para a aposentadoria por invalidez e auxílio-doença. Quer elevar de 12 para 24 meses o tempo mínimo de contribuição para que a pessoa possa pedir o benefício. Dilma já cortou as pensões por morte e o seguro desemprego. As agências do INSS estão em greve há dois meses, ninguém consegue pedir um benefício e ninguém do governo aparece para negociar.