Um pacto para salvar o país

O governo acaba de anunciar que vai pagar a primeira parcela do 13º dos aposentados no final de setembro. Há nove anos, depois de muita pressão do movimento sindical, esse pagamento vinha sendo feito em agosto. Ou seja: quem contava com esse dinheirinho para pagar uma consulta no médico ou comprar um remédio de alto custo teve que adiar o pagamento ou entrou no negativo no banco. Vale lembrar que 80% dos quase 30 milhões de aposentados do país ganham apenas um salário mínimo –R$ 788. O governo disse que não tinha dinheiro para pagar a metade disso –R$ 394– para os aposentados. Mas, tanto a presidente Dilma como todos os seus ministros, receberam em dia o adiantamento do 13º salário. Só que, no caso deles, o adiantamento passa dos R$ 15.000. É um verdadeiro escárnio.

Aposentados, assim como as crianças, são elos frágeis da sociedade. Têm pouca capacidade de mobilização e de pressão. Então, é fácil tripudiar em cima deles. Se o governo resolvesse agir para reduzir os lucros dos banqueiros, aí sim, a pressão seria grande. Em qual país do mundo os juros do cartão de crédito ou do cheque especial passam de 120% ao ano? Só no Brasil. É por isso que um dos maiores banqueiros do país veio a público declarar, há poucos dias, que não há motivo para cassar o mandato de Dilma. Há sim. E eles são muitos.

O Brasil entrou numa recessão nunca antes vista em toda a sua história. Fábricas paralisam a produção e milhões de trabalhadores estão sendo demitidos em todos os setores. Essa onda negativa precisa ser estancada.

Dilma reconheceu que fez bobagens no seu primeiro mandato. Agora, fala que vai cortar ministérios e alguns milhares de cargos comissionados. Mas, ninguém mais confia nela e na sua equipe econômica. Passou da hora de trocar toda essa turma. Os partidos políticos, o movimento sindical e empresarial, que têm compromisso com o Brasil, precisam construir um grande pacto que recoloque o país no rumo do crescimento.