Últimos capítulos

De maneira melancólica, o governo Dilma Rousseff vai dando seus últimos suspiros. Com medo de um novo panelaço, Dilma evitou, mais uma vez, fazer um pronunciamento em rede aberta de rádio e TV, como todos os presidentes da República sempre fizerem no 7 de setembro. Ela recorreu a uma rede de internet para admitir que cometeu erros e que agora vai precisar usar remédios amargos para enfrentar a crise que ela mesmo criou. Tarde demais.

Já se formou no Congresso Nacional um consenso de que Dilma não tem mais condições de governar o país. Em um dia ela manda para o Congresso uma proposta de lei orçamentária prevendo um déficit de mais de R$ 30 bilhões. Dias depois, diante da gritaria, avisa que vai mandar uma outra proposta prevendo um superávit. Um dia, os papagaios do seu governo falam em recriar uma nova CPMF (o extinto imposto do cheque). Diante de nova gritaria, recua, mas continua falando em criar ou aumentar impostos. Não se cogita cortar gastos do governo com ministérios e cargos comissionados, contratados sem concurso (fala-se em 100 mil cargos).

Mas, mais do que a incompetência para governar, associada a uma arrogância sem precedentes, outros fatos mostram que Dilma deve estar vivendo os últimos capítulos do seu mandato. Mais um pedido de impeachment foi apresentado na Câmara dos Deputados, desta vez por ninguém menos que o jurista Hélio Bicudo, fundador do PT. Ele cita as “pedaladas fiscais” cometidas no mandato anterior como crime contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede o governo de tomar dinheiro dos bancos públicos para cobrir suas despesas. A análise dessas pedaladas está prestes a ser concluída pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Se o TCU rejeitar suas contas, não restará a Câmara outra alternativa a não ser cassar o mandato de Dilma. A estimativa é que hoje quase 300 deputados já estejam convencidos de que essa é a melhor saída para salvar o país.