Suicídio à brasileira

Tudo indica que o Banco Central vai decidir, nesta quarta (21), pela manutenção da taxa básica de juros do país, a Selic, que está em 14,25% – a maior de todos os países do mundo. Juros esses que inibem a produção industrial brasileira, gerando desemprego, e chegam até o bolso do consumidor também na forma das taxas altíssimas do cartão de crédito e dos empréstimos bancários.

Num momento em que o país já está em recessão técnica e deve ter seu PIB reduzido em 3% somente este ano, a manutenção de juros nesses patamares é uma tragédia. Segundo o economista Yoshiaki Nakano, cada ponto percentual da Selic representa um aumento de R$ 30 bilhões anuais na dívida do governo. Ou seja, um ponto percentual a menos de juros seria suficiente para cobrir todo o rombo anunciado pelo governo federal no Orçamento de 2015.

Você pode perguntar: “Paulinho, se baixar os juros, não vai aumentar a inflação?”. Eu explicarei que não. A tendência para os próximos meses é de redução da demanda, em todas as áreas. Em crise, o brasileiro está consumindo menos e vai sobrar produto no mercado. Com a demanda reduzida, a tendência é a inflação cair.

Há duas explicações possíveis para o governo manter os juros lá no alto: a primeira é que o Brasil possui uma dívida de R$ 2,6 trilhões. Como o governo não tem como pagar essa dívida, pega emprestado ainda mais para pagar os juros. E quem empresta para alguém que não tem dinheiro para pagar sua dívida, a não ser por juros altíssimos?

A segunda explicação é menos técnica e mais direta. Politicamente, o PT e grande parte da classe política do nosso país estão a serviço do capital financeiro. É esse dinheiro que paga as campanhas e os conchavos políticos. O governo não baixa os juros porque está pagando sua conta.

Ao manter essa política, o resultado são indústrias falindo, desemprego aumentando e esperança minguando, num verdadeiro suicídio à brasileira. Nosso dever é lutar contra isso. Baixar os juros seria o primeiro passo.