Sete milhões de mulheres estão fora do mercado de trabalho durante a pandemia

O coronavírus tem causado muitos impactos na saúde, na área econômica e na área social. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o choque na economia mundial já é maior que o da crise financeira de 2001 (após os ataques do 11 de setembro) e a de 2008. Com isso, acredita-se que o mundo levará anos para se recuperar dos impactos da pandemia.

O maior reflexo da crise está no aumento do desemprego, deixando muitos brasileiros preocupados. Esse drama é ainda pior quando se é mulher. Elas que sempre sofreram com a desigualdade no mercado de trabalho e com salários menores, agora se veem numa situação ainda mais complicada.

Com o isolamento social obrigatório, a suspensão das aulas e sem ter com quem deixar os filhos, muitas profissionais se sentiram obrigadas a abandonarem o emprego e outras foram demitidas. Divulgada em junho, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc) mostrou que 7 milhões de mulheres deixaram o mercado de trabalho, desde que a pandemia chegou ao Brasil.

Após serem demitidas, essas trabalhadoras não conseguem procurar um novo emprego, dificultando ainda mais a sua reinserção no mercado de trabalho. Quanto mais tempo levar a pandemia, pior será para as mulheres que buscam uma ocupação.

Informalidade – Com contas para pagar e os filhos para sustentar, a maior parte das profissionais que deixaram seus empregos ficaram totalmente sem renda. Muitas não têm um parceiro para dividir as responsabilidades financeiras do lar e, por isso, optam pela informalidade para prover o sustento de todos que dependem dela.

A tendência para a informalidade não é nova. As mulheres sempre estiveram sujeitas a trabalhos informais e com baixa remuneração. O coronavírus agravou a proporção, colocando-as à margem do mercado de trabalho.

Dados de maio da Pnad Covid-19, mostram que 17,7 milhões de trabalhadores não conseguiram procurar trabalho por causa da pandemia. No trimestre inteiro, que inclui informações de janeiro e fevereiro, o número de mulheres que perderam o trabalho foi 25% maior que o de homens. Por trás desses dados, presenciamos um grande retrocesso na luta feminina por igualdade no mercado de trabalho.

Proteção – Como representante dos trabalhadores na Câmara dos Deputados, sempre defendi a igualdade no mercado de trabalho. Com o coronavírus isso se faz ainda mais necessária, porque muitas empresas priorizaram demitir as mulheres, alegando as suas dificuldades de irem trabalhar por causa dos filhos ou de algum outro familiar que precisa de sua presença.

O desemprego por si só já é prejudicial para a economia do país, mas quando se demite uma mulher a desigualdade social aumenta ainda mais. Isso porque na maior parte dos lares elas são chefes de família, principalmente na periferia e na zona rural. Quando ficam impossibilitadas de trabalhar formalmente, elas vão para a informalidade, ganham bem menos e quase não conseguem se manter. Muitas vezes, os filhos menores de idade são obrigados a abandonar a escola para ajudarem no sustento da casa. Isso cria um círculo vicioso de pobreza e desigualdade social.

Pensar numa solução conjunta entre governos, prefeituras e empresas é uma maneira de manter a tranquilidade das profissionais femininas, principalmente aquelas que têm filhos menores e que durante a pandemia não têm quem cuide deles. Assim, todos ganham e ajudam a reduzir os impactos na economia.