Renda Brasil deve reduzir a pobreza e não acabar com benefícios sociais

Quando o Governo Federal anunciou o programa Renda Brasil, cheguei a pensar que nem tudo estava perdido e que, enfim, o Executivo começava a entender o quanto os programas de transferência de renda são necessários para conter a crise econômica no país. Mas aí vem o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciar que a adoção do Renda Brasil depende da extinção de outros benefícios que ajudam milhares de famílias de baixa renda: o abono salarial (PIS/Pasep) a Farmácia Popular e o Seguro-Defeso, que é o subsídio dado a pescadores em períodos de pesca proibida.

Não podemos cobrir um santo para descobrir outro. Essa é uma regra básica para quem deseja realmente acabar com a desigualdade social. Sou a favor de qualquer programa de governo que beneficie os pobres, mas não posso aceitar tal conduta do governo.

Quando um governo retira investimentos de áreas essenciais com a justificativa de remanejá-los para outro programa, demonstra que a finalidade não é criar uma política de Estado forte, mas eleitoreira. A intenção é surfar na popularidade do auxílio emergencial, com vistas à reeleição.

Renda Brasil

A atitude de ampliar o número de beneficiários do Bolsa Família é louvável, porque evitou que milhões de trabalhadores chegassem à extrema pobreza (com renda inferior a US$ 1,90 por dia, equivalente a R$ 154 mensais). Essas pessoas perderam seus empregos ou alguma outra renda. Até que elas consigam se reerguer, o valor pago pelo Governo irá garantir seu sustento.

Estima-se que o orçamento do Renda Brasil chegue a R$ 52 bilhões. Atualmente, o Bolsa Família tem R$ 30 bilhões disponíveis. Esse programa é muito importante para que a população de baixa renda não seja ainda mais sacrificada.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o auxílio emergencial de 600 reais foi importante para que o país não entrasse em recessão econômica. O benefício, desenvolvido e aprovado pelo Congresso Nacional, ajudou muitas famílias a comprarem alimentos para os seus filhos.

Se com o auxílio a situação já não é tão boa, sem ele o Brasil teria entrado em convulsão.  Diante de tal realidade, o socorro aos brasileiros mais necessitados deve continuar após a pandemia, para que o país não chegue a patamares alarmantes de injustiça social, levando para os limites da extrema pobreza milhões de brasileiros.

O Renda Brasil vem com a proposta de manter o benefício de quem hoje recebe o auxílio de 600. Entretanto, para que a política social dê certo, ela precisa ser bem planejada para não retirar recursos de outros programas. Se antes da pandemia o Brasil já tinha pouco espaço para uma agenda ultraliberal, agora muito menos. Neste momento, o mais importante é pensar no povo e construir ações que visem o desenvolvimento social.