Queda na renda dos trabalhadores dificulta a retomada econômica no Brasil

Os efeitos da pandemia do covid-19 são sentidos de diversas maneiras pelos brasileiros. Com o crescimento exponencial no número de casos e sem uma previsão de normalidade, a renda familiar é um dos itens da economia mais impactados. É o que demonstra a Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada essa semana.

De acordo com o levantamento, o pico da doença em diversas capitais provocou uma queda no rendimento médio da população. No mês de maio, a maior parte dos brasileiros receberam apenas 82% de seu rendimento habitual, perdendo 18%.

Os mais prejudicados foram os trabalhadores informais e aqueles sem registro na carteira, que chegaram a perder entre 30% a 50% de sua renda mensal.

Entre os setores mais afetados, estão os de atividades artísticas, esportivas e recreação, que receberam só 55% dos rendimentos habituais, transporte de passageiros (57%), hospedagem (63%), serviços de alimentação (65%), atividades imobiliárias (70%), construção (71%) e serviço doméstico (74%).

Com uma queda tão brusca nos rendimentos, os brasileiros presenciam o aumento da desigualdade social. Em três meses de pandemia, o crescimento da extrema pobreza é visível a olho nu. E mesmo com o auxílio emergencial de R$ 600 e o Benefício Emergencial, criado para atender trabalhadores que tiveram redução salarial, os impactos negativos na economia são gigantescos.

Difícil caminho – O Brasil está entre os países que levarão mais tempo para retomar a sua economia após a pandemia da covid-19. Será um longo e difícil caminho para a recuperação. Economista preveem que por muitos anos sentiremos os efeitos avassaladores da doença nas finanças dos brasileiros.

Entre as heranças deixadas pela crise do coronavírus, estão o grande contingente de trabalhadores desempregados e o de empresas falidas. Enquanto esses índices forem elevados, não será possível desenvolver o país.

Se quisermos recuperar a economia brasileira, Congresso Nacional e Governo Federal precisam se unir em torno de um programa de recuperação econômica, que envolve a retomada da agenda de reformas, como a tributária e administrativa. Tornar o sistema de tributação mais atraente para investidores e empresários é essencial para atrairmos parceiros comerciais fortes.

Além disso, precisamos acolher a camada mais pobre da população, criar programas de distribuição de renda e de políticas sociais. Todas essas medidas são necessárias para tirarmos o Brasil da crise.