O grito das ruas

Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre o tamanho da insatisfação da população brasileira com o governo de Dilma Rousseff, essas dúvidas acabaram no último domingo. Milhões de pessoas foram às ruas protestar contra a corrupção, as mentiras contadas durante a campanha e pediram: fora Dilma, fora PT.

Um dia depois, a presidente veio a público reconhecer erros do governo, pregou humildade e disse que estava aberta ao diálogo “com todos os setores da sociedade”. Mas, ao mesmo tempo, o seu governo insiste em não recuar no pacote que retirou direitos dos trabalhadores.

Ou seja: Dilma não está disposta a rever os cortes que fez no pagamento do seguro desemprego, nas pensões por morte, no abono do PIS/Pasep, no seguro-defeso dos pescadores e no financiamento estudantil (Fies).

A garfada do Imposto de Renda nos salários parece ter sido consolidada com a conivência da bancada governista no Congresso, que se recusou a derrubar o veto de Dilma à correção da tabela de 6,5% para todos. A estimativa é que a defasagem da tabela do I.R. já está em 65%.

A presidente fala que está aberta ao diálogo, mas insiste em manter 39 ministérios, a maioria ocupados por ministros ineptos. Não fala em cortar os milhares de cargos comissionados ocupados por apadrinhados do seu partido e dos partidos que apoiam seu governo.

Em relação a corrupção, deu uma justificativa esfarrapada ao afirmar que “ela não nasceu hoje”, “que é uma senhora bastante idosa neste país”, sem admitir que foi sob os governos do PT que a roubalheira explodiu no país. Por enquanto, o escândalo do momento se refere a corrupção na Petrobras. Mas começam a surgir indícios de que a roubalheira se estendeu ao sistema elétrico e aos financiamentos do BNDES.

Dilma parece não entender que a gritaria do povo é também por se sentir enganado por uma presidente que durante a campanha eleitoral mentiu descaradamente. Nós do Solidariedade lançamos um abaixo assinado para pedir seu impeachment quando atingirmos um milhão de assinaturas. Para assinar é só entrar no sitewww.solidariedade.org.br. Acreditamos que a insatisfação popular só vai aumentar porque fica cada vez mais evidente a incompetência de Dilma. E que ela não vai estar no cargo quando comer o peru de final de ano.