Na luta contra o coronavírus, valorizar o SUS é salvar muitas vidas

Na luta contra o coronavírus, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido o apoio da maioria dos brasileiros diagnosticados com a doença. Com médicos bem qualificados, o sistema tem demonstrado que vale a pena investir e valorizar uma saúde pública de qualidade.

O Brasil, como o resto do mundo, não estava preparado para a pandemia, o que tem provocado diversos transtornos tanto a pacientes quanto aos profissionais da saúde, que se veem sem os equipamentos de proteção básicos no cotidiano de um hospital.

Se antes disso tudo começar, o Governo Federal e os estaduais tivessem investido em mais hospitais públicos, em mais contratações de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, entre outros profissionais certamente os efeitos seriam bem menores. Claro que quando cito a gestão federal, não me refiro apenas ao atual governo, mas a todos os anteriores. Em vez do investimento, todos optaram por cortes bilionários no orçamento de uma pasta tão importante.

Segundo estudo da Comissão de Orçamento e Financiamento (Cofin) do Conselho Nacional de Saúde (CNS), divulgados no ano passado, o SUS já perdeu R$ 20 bilhões de 2016 até agora. A falta de recursos é reflexo da Emenda Constitucional 95/2016, que instituiu limite máximo de investimentos nas áreas da saúde para o período de 2018 a 2036.

Desde que a emenda foi editada, há quatro anos, o orçamento federal para saúde não repõe nem a inflação, ficando apenas com um valor fixo.  Ao longo de duas décadas, os danos são estimados em R$ 400 bilhões.

Ainda com todas as dificuldades, o SUS e os seus profissionais apresentam um bom trabalho. Mesmo com o número alarmante de mortos pela Covid-19, a maior parte dos infectados tem se recuperado.

Infelizmente, alto índice de ocupação hospitalar por pacientes da covid-19 levará ao colapso no sistema. Isso é inevitável. As cidades de Manaus (AM) e Fortaleza (CE) foram as primeiras a ficarem sem vagas nos hospitais. A falta de leitos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) também atinge outros municípios, como São Paulo e Rio de Janeiro, que buscam uma solução para o problema.

A insuficiência de leitos e de respiradores não são apenas uma realidade do SUS, mas também da rede privada. Isso demonstra que não podemos minimizar nem subestimar a Covid-19, doença grave e mortal.

Diferentemente de outros países da América Latina e dos Estados Unidos, o Brasil tem um sistema público de saúde que dá acesso a todos de maneira gratuita. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 162 milhões de pessoas dependem exclusivamente do SUS. Imagine se todos esses brasileiros tivessem que pagar por um seguro de saúde. Se não houvesse o SUS para socorrer os que mais precisam, o número de mortes por coronavírus seria bem maior.

Por isso, espero que após essa crise o Governo Federal e a sociedade passem a valorizar o SUS. Reconheçam a importância desse sistema para os brasileiros e para o enfrentamento eficaz de várias doenças.

A Covid-19 é uma realidade no mundo todo e para combatê-la precisamos de um sistema de saúde público forte e com profissionais valorizados.