Mesmo com aumento nos casos da covid-19, brasileiros insistem em se descuidar

Festas, bares e praias lotadas. Parece que os brasileiros ainda não se deram conta da gravidade do coronavírus no país. Sempre defendo nas minhas redes sociais que ainda não é hora de reabrir as escolas, para evitar a contaminação dos estudantes. Mas se algum familiar dessas crianças e adolescentes não respeita o distanciamento social e continua a frequentar locais com aglomerações, de nada vai adiantar que elas permaneçam em casa. Os riscos serão os mesmos.

Em São Paulo é fácil encontrar bailes funk no meio da rua; boates clandestinas em bairros nobres, bares e restaurantes cheios de gente que não usa máscara e não se importa com os cuidados. Não quero condenar ninguém por desejar ter uma vida normal, porém, é importante termos paciência até serem liberadas as vacinas contra a covid-19. A conscientização é a nossa melhor arma contra a pandemia.

Pesquisa do Datafolha divulgada na semana passada aponta que houve queda na adesão ao isolamento social. Das 2.065 pessoas entrevistadas, 44% dizem que saem de casa normalmente, mas com os devidos cuidados. Em junho, o percentual era de 34%. Já 6% afirmam que nada mudou em suas rotinas, sendo que em junho apenas 3% continuavam com suas atividades habituais sem se preocuparem com o coronavírus.

A maioria dos descuidados é de jovens que preferem curtir a noite em vez de se preservarem do vírus. Essa falta de preocupação pode ser prejudicial para quem mora com eles: pais, avós, tios e alguém com doenças preexistentes (diabetes, hipertensão, câncer, problemas cardíacos), independentemente da idade.

Uma outra pesquisa mostra que houve crescimento no número de casos da doença entre pessoas de 20 a 29 anos, moradores do estado de São Paulo. O grupo representa 16,4% do total de casos do estado, ficando atrás apenas de adultos de 30 a 39 anos (23,9%) e de 40 a 49 anos (21,2%).

Os mais novos precisam entender a importância de seguir os protocolos estabelecidos pelos governos e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto continuarmos com o crescimento da doença, não sairemos da crise sanitária.

Muitos brasileiros continuam prejudicados pela pandemia. As empresas não param de demitir e o benefício do governo não vai durar para sempre. Sei que muita gente precisa trabalhar, mas quando sair de casa, use a máscara, evite aglomerações e cumpra com o distanciamento social.

Eleições municipais 

Foi pensando na redução da doença que o Congresso Nacional adiou para novembro a data das eleições. Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai adotar medidas de segurança nos dias de votação, para manter a proteção de todos que forem cumprir o seu dever de cidadão.

Essas ações são necessárias porque visam a redução da covid-19 no Brasil. Todos queremos voltar à vida normal, mas isso só vai ocorrer quando as pessoas passarem a se preocupar com a sua saúde e com a do outro.

Muitas vidas já foram perdidas para essa doença. Não desejamos perder mais ninguém.