Economia no pós-pandemia depende da geração de empregos e das reformas

A retomada da economia passa pela redução do nível de desemprego e pela aprovação de reformas importantes, como a tributária e a administrativa. Com milhares de pessoas sem trabalho, a economia desce ladeira e leva muita gente para um ponto abaixo da linha da pobreza.

Quanto mais tempo durar a crise, pior será para o Brasil, que já estava com a economia cambaleante e agora, com a pandemia, apresenta uma perda econômica significativa. Para se ter uma ideia do agravamento da situação, em poucos meses o número de pessoas desocupadas superou o das que estão trabalhando. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, assustam e nos deixam em estado de alerta.

De acordo com o levantamento, o total de pessoas ocupadas no Brasil caiu para 85,9 milhões e o de desempregados totalizou 87,6 milhões. Os números são os piores da série histórica da pesquisa, que teve início em 2012. O recorde inclui a soma dos desalentados, aqueles que desistiram de procurar emprego, número que teve alta de 15,3% no último trimestre, chegando a 5,4 milhões de pessoas.

O pior é que nem mesmo os informais conseguem manter a renda por causa da queda no consumo. Isso gera uma reação em cadeia, já que as empresas são fechadas, indústrias param de produzir e a arrecadação municipal, estadual e federal despenca.

O cenário fica ainda pior quando constatamos que todos esses resultados negativos levam ao aumento da desigualdade social. é desalentador constatarmos que a redução da renda pode levar 3,8 milhões de brasileiros a retrocederem na pirâmide social, passando a integrar as classes D e E. A análise foi feita pela consultoria Tendências e demonstra o quanto o Brasil recuou, chegando a patamares de dez anos atrás.

Auxílio emergencial

O benefício de R$ 600 para informais e desempregados e os R$ 1200 para mulheres chefes de família foi essencial para que o país não afundasse ainda mais. O dinheiro não é muito, mas garantiu o sustento de várias famílias. Entretanto, não vai durar para sempre. O Governo Federal fala em estendê-lo até dezembro, com um valor menor, o que não seria ideal.

Para que os beneficiários continuem garantindo o alimento de seus filhos, é necessário manter o valor atual de 600 e 1200 reais. Reduzir os valores não é viável, pois levaria essas pessoas ainda mais ao desespero, já que houve um aumento absurdo no custo da cesta básica.

Então, defendo a continuidade do valor atual para que os mais necessitados possam prover o seu sustento.

O que fazer?

A verdade é que o Brasil já vinha com uma recuperação tímida desde antes da pandemia. O coronavírus fez parar de vez o que estava lento, mas precisamos fazer algo para que o país não entre em recessão econômica, a fim de evitar mais sofrimento para os brasileiros.

As incertezas na economia não mexem só no bolso, mas na autoestima de milhares de famílias. O orçamento apertado e o aumento do endividamento fizeram com que os brasileiros cortassem o consumo, derrubando o PIB do país.

A situação só vai melhorar quando o Brasil colocar em prática a reforma tributária e a reforma administrativa. Elas são essenciais para a geração de emprego e renda no país. Há anos discutimos essas reformas e agora está na hora de tirá-las do papel, senão a pandemia vai passar e a crise vai continuar maltratando os brasileiros.

O custo do Brasil é muito alto. O governo gasta demais e sem qualidade. Do que adianta gastar milhões em algo desnecessário para o país? Precisamos focar nas prioridades, como: impulsionar a economia dando incentivos às indústrias e microempresas, reduzir tributos, diminuir os gastos públicos, investir em educação e saúde, no saneamento básico e em programas sociais de transferência de renda.

São ações e políticas públicas como essas que vão retirar o Brasil da miséria. Nosso país tem tudo para ser uma grande economia mundial, basta colocar em prática tudo que já sabemos.

Se nada for feito, a economia pós-pandemia será de pobreza extrema e fome, já que a doença continua se arrastando no país. Não temos previsão de quando tudo isso vai acabar, por isso, o Congresso Nacional e o Governo Federal precisam acelerar as reformas e dialogar sobre a melhor maneira de reaquecer a economia, sem a necessidade de causar um rombo ainda maior nas contas públicas.