Coronavírus escancara pobreza no Brasil e expõe a ausência de políticas públicas eficazes

Foto: Agência Brasil

A crise provocada pelo coronavírus no Brasil escancarou as mazelas sociais e, o pior, tem aumentado a desigualdade em todas as regiões, principalmente naquelas que já apresentavam um histórico de pobreza extrema. A doença atinge em cheio a periferia do país e o aumento no número de contágio e de mortes demonstra o quanto o Brasil está despreparado para conter pandemia.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os serviços públicos são precários para mais de 75% da população. O sistema de saúde é insuficiente e começa a entrar em colapso em alguns estados. A falta de saneamento básico ainda assola o país e 35 milhões de pessoas não têm acesso à água.

As regiões Norte e Nordeste são uma das que mais sofrem com o enfrentamento à doença. Porém, não precisamos sair de São Paulo para constatar essa a realidade que nos assusta. Segundo o mapa epidemiológico da prefeitura da capital paulista, os bairros da zona sul apresentaram um substancial aumento no número de mortos, de casos suspeitos ou confirmados de coronavírus, com incremento de 79% no registro de óbitos em menos de quinze dias.

O bairro com maior crescimento percentual no número de mortes na cidade, nos últimos quinze dias foi, Parelheiros, onde as vítimas fatais passaram de 24 para 58, registrando alta de 141%. Mesmo com esse salto na zona sul, a zona Leste continua sendo a região com maior registro de mortes pela covid-19. Já a Brasilândia, na Zona Norte, é o bairro com mais óbitos.

Esses dados evidenciam o que muita gente tenta ignorar: a pobreza no Brasil. Um quadro que não é de hoje, mas que a doença tem escancarado o quanto somos desiguais. Enquanto a classe média se protege em suas casas, compram pela internet e fazem home office, os mais pobres são obrigados a irem para as ruas para buscar o sustento de suas famílias. São mais de 38 milhões de brasileiros invisíveis ao Estado, que vivem na informalidade e não conseguem dela sair.

Sem falarmos das condições das moradias, que são indignas para grande parte da população. São famílias que muitas vezes têm apenas um ou dois cômodos onde chegam a viver até 10 pessoas. Como exigir isolamento social a estas pessoas? Além disso, muitos desses moradores não conseguem sequer manter a higiene básica, muito menos cumprir os protocolos que reduzem o risco de contaminação.

Reduzir a desigualdade de renda e social

A pandemia desnudou as mazelas do Brasil. E isso colocou em xeque nossas políticas públicas adotadas há muitos anos por diferentes governos. Mesmo as medidas emergenciais aprovadas pelo Congresso Nacional não são capazes de atenuar a situação. Até porque, como o próprio nome diz, são emergenciais. O país necessita com urgência de programas de médio e longo prazos, com a finalidade de reduzir a extrema pobreza e valorizar o nosso sistema público de saúde.

Em um vídeo que publiquei nas minhas redes sociais no final do ano passado, foquei bem essa necessidade de pensarmos em priorizar a redução da desigualdade social. Isso se faz com educação de qualidade, cursos de qualificação profissional para jovens e adultos, incentivo ao primeiro emprego e o estímulo ao trabalho formal. Com salários melhores e com garantias de recebimento, a população mais pobre pode se organizar melhor, aumentar o consumo em suas cidades, ou seja, dinamizar a economia.

No Congresso Nacional há muitos projetos importantes que visam a melhoria do país. Muitos deles estão ligados à ampliação do saneamento básico e à melhoria no SUS. São iniciativas importantíssimas para impulsionar o desenvolvimento do país. Temos também PLs que visam o incentivo fiscal às empresas, incentivando-as na criação de vagas formais. Além disso, demos início às discussões em torno das reformas tributária e administrativa. São reformas importantíssimas que devemos priorizar se quisermos tirar o Brasil da estagnação econômica e de uma recessão.

Infelizmente, por conta da pandemia, alguns debates foram adiados para votarmos medidas emergenciais e que ajudam retirar os brasileiros do sufoco inesperado, causado pelo coronavírus. O Congresso Nacional está fazendo de tudo para ajudar os brasileiros e, logo, voltaremos a discutir as agendas de crescimento econômico. Por ora, o mais importante, é contermos o avanço ainda maior da desigualdade. Do contrário, sofreremos as consequências por muitos e muitos anos.