Com redução no valor do auxílio, Governo Federal quer dar esmola aos brasileiros

A pandemia do coronavírus vai durar mais do que prevíamos. No início da crise achávamos que em dois meses seria possível retomar a economia.  Mas a falta de ações governamentais e as crises institucionais agravaram os efeitos da pandemia no país, adiando a suspensão do isolamento social.

Durante dois meses, milhares de famílias passaram a receber auxílio de 600 reais, pago a trabalhadores informais, microempreendedores individuais, desempregados e mães chefes de família. Essas recebem R$ 1200. O benefício só foi possível graças à persistência e o empenho de deputados e senadores que aprovaram o projeto, mesmo com a insatisfação do Governo Federal, que queria liberar apenas 200 reais.

Diante da falta de previsão para a suspensão da quarentena, o Congresso Nacional estuda prorrogar o programa, dando continuidade aos 600 reais. Porém, o Governo Federal já fala em reduzir esse valor.

Na última quinta-feira (28), durante audiência virtual da comissão mista do Senado, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Econômia, Waldery Rodrigues Júnior, não descartou a possibilidade de se reduzir as parcelas para 200 reais.

Se a população não consegue viver com 600 reais, imagine com 200. A percepção do governo com o social me impressiona. Para eles, ajudar os mais pobres significa gastos e não investimentos. Além disso, todos que recebem o pagamento injeta o mesmo valor na economia. Isso é bom para o país. O mesmo dinheiro que o governo tem como despesas, retorna aos cofres públicos como impostos.

Como deputado federal defensor dos direitos dos trabalhadores e da distribuição de renda, sou contra a redução do auxílio emergencial. Se o Ministério da Economia não quer reajustá-lo, também não deve diminui-lo. O governo acha que está fazendo um grande favor aos brasileiros, mas só cumpre com a sua obrigação.

Sei que a luta pela manutenção do valor será pesada, mas não podemos aceitar tamanho absurdo. O povo não quer esmola.