Com 14 milhões de desempregados, aumento da pobreza no Brasil é real

Fechar os olhos para o aumento da pobreza não vai resolver a situação do Brasil. A crise econômica que atinge o país desde 2018 ganhou um capítulo ainda mais aterrorizante com a pandemia do coronavírus.

Os impactos negativos da doença na economia atingiram em cheio o mercado de trabalho, deixando cerca de 14 milhões de brasileiros na fila por um emprego. Destes, 4 milhões ficaram sem trabalhar durante a pandemia. Um recorde. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta foi de 43% nos últimos cinco meses.

A região Nordeste apresentou a maior alta no número de desempregados, de 69%. Já a Sudeste concentra cerca de 45% das pessoas sem emprego no país.

População de rua – O desemprego não é algo isolado e provoca outros dramas econômicos e sociais. A pobreza é uma das consequências negativas decorrentes da falta de trabalho. Uma prova disso está nas ruas. Não é preciso olhar muito para ver o aumento do número de pessoas em situação de rua.

Antes da pandemia, muitas dessas pessoas tinham emprego, uma casa, pagavam as suas contas. Agora, sem terem dinheiro para o aluguel, trabalhadores tiveram as ruas como única opção.

Basta percorrer as ruas e bairros da capital paulista para percebemos o atual perfil de quem escolheu as calçadas como moradia, por terem perdido sua única fonte de renda. Centenas de pessoas vivendo ao relento e que dependem de doações para se alimentarem. Muitas delas carregam tudo o que têm: malas, bolsas, colchões e pequenas barracas de camping.

Se a capital mais rica do país encontra-se nessa situação lastimável, imagine os municípios de estados historicamente pobres, como os das regiões Norte e Nordeste.

Tendência mundial – Estimativas do Banco Mundial mostram que a pobreza extrema vai avançar no mundo pela primeira vez em mais de duas décadas. Em 2020, cerca de 115 milhões de pessoas estão sendo empurradas a essa situação, número que pode crescer para 150 milhões em 2021.

Com essa expectativa de crescimento, a pobreza extrema passará a afetar o equivalente a algo entre 9,1% e 9,4% da população do mundo neste ano. A América Latina está entre as regiões mais atingidas.

Auxílio como forma de impulsionar a economia – Com a pandemia, crise econômica e preços altos, a tendência é piorar esse quadro. Por isso, defendo o auxílio de 600 reais até dezembro, para que essas pessoas possam se organizar e procurar alguma renda em 2021.

Muitas pesquisas já demonstram que o valor de 300 reais tende a piorar a situação do país, que estava ganhando fôlego com o benefício anterior. Sabemos que o Governo Federal não tem como pagar 600 reais por muito mais tempo. Por isso defendemos que ele seja estendido até dezembro.

Esse não é um dinheiro jogado fora. É uma maneira de impulsionar a economia de municípios, estados e do país. Isso porque as pessoas passam a consumir, aumentando a arrecadação de impostos do governo.

Tenho conversado com líderes do Congresso Nacional para tentarmos manter os 600 reais. Caso não seja possível, pensamos em um valor mais justo do que os atuais 300 reais.

De acordo com o Banco Mundial, o auxílio emergencial de 600 reais interrompeu a tendência de aumento da extrema pobreza no Brasil, que crescia há cinco anos. Se o benefício melhorou a vida de milhares de pessoas de baixa renda, que antes ganhavam menos de 10 reais por dia, por que acabar com ele?

É uma decisão errada que precisa ser repensada com urgência.