O protagonismo da agricultura familiar

Em 2005, tive a honra de ser eleito, por todos os dirigentes das Emateres do Brasil, presidente da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer). Entre os desafios da época, um era organizar e recompor a representatividade política da entidade, de modo a torná-la uma instância efetiva nos processos de reestruturação e fortalecimento das empresas públicas de assistência técnica e extensão rural (Ater).

Juntamente com os companheiros e profissionais de diversas regiões brasileiras, todos com experiências, visões e conhecimentos específicos da Ater que se constrói em suas comunidades, alcançamos os objetivos de transformação da Asbraer para cumprir suas diretrizes e missão institucional. Mas, é claro, muitos outros objetivos permanecem ainda desafiadores, sobretudo aqueles voltados para um maior protagonismo da agricultura familiar na dinâmica das políticas públicas para o campo.

Entre esses desafios estão fortalecer a integração entre pesquisa e extensão rural, criar oportunidades de participação da agricultura familiar na gestão e planejamento das entidades de Ater, construir indicadores para avaliação de resultados, fortalecer a integração entre as entidades associadas (Emateres). E ainda recompor a força de trabalho das associadas, hoje muito aquém das necessidades para universalização da Ater aos agricultores familiares, e articular através da recém-criada Anater um programa nacional de formação continuada para os profissionais da extensão rural.

No ano passado, a Asbraer, tendo também na presidência um extensionista da Emater-MG, seu ex-presidente José Ricardo Roseno, reavaliou o planejamento estratégico da entidade e elaborou um documento de qualidade excepcional, com informações, dados e experiências das entidades de todo o Brasil, no qual se resgata muitos desses desafios ainda a serem superados. Vale destacar a participação do atual presidente da Asbraer, Argileu Martins, profissional de carreira da Emater-MG, que estava em serviço no Ministério do Desenvolvimento Agrário e foi recentemente nomeado presidente da Emater-DF.

Organizado editorialmente por regiões do país, o documento é uma fonte indispensável para governos, gestores públicos, técnicos e profissionais do setor que se empenham na construção de um sistema de Ater pública, em consonância com o momento histórico que vivemos, de demandas democráticas e desafios que emergiram mais recentemente, como as questões ambientais.

Estamos convictos de que a dinâmica para superação desses desafios passa pela participação da agricultura familiar na gestão da Ater. Essa presença deve garantir mais celeridade nos processos operacionais, maior foco na construção de políticas públicas e na integração entre pesquisa e demandas da agricultura familiar.

A conquista desse protagonismo é uma tarefa prioritariamente da agricultura familiar, com as suas lideranças, organizações e parcerias estratégicas. E as condições para isso estão dadas. Na década de 90, foram criados diversos instrumentos para os processos de gestão social.

No caso da agricultura familiar, são os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), uma instância fundamental para a organização do setor e para a construção de um país melhor e de mais justiça social.