“Esquisitices” – Artigo do deputado Domingos Dutra para o site do Solidariedade

Em 2014 realizamos as sétimas eleições gerais no País após a redemocratização. Além do fortalecimento das instituições, estas eleições revelaram-se as mais estranhas, esquisitas e imprevisíveis depois do período autoritário.

A esquisitice inicia-se com a morte de Eduardo Campos, na flor da idade, de forma trágica e prematura no começo da campanha. Marina, que foi a surpresa agradável das eleições de 2010, ao substituir o falecido e no calor da comoção nacional dispara na corrida presidencial, ultrapassando todos os concorrentes, induzindo muitos apressados a montarem ministérios e comprarem indumentária para posse, porém Marina sucumbe ainda no primeiro turno diante dos esturros da candidata oficial Dilma Rousseff.

Aécio Neves, candidato do PSDB, que quase era enterrado com Eduardo Campos, na reta final do primeiro turno ressuscita, deixa Marina para trás, passa para o segundo turno com enorme entusiasmo, agregando apoios de quase todos outros candidatados e partidos que disputaram a primeira jornada e agora no apagar das luzes pode perder as eleições para Dilma, candidata do governo.

Em vários estados, o eleitor desmanchou candidatos favoritos, como no Rio de Janeiro em que o terceiro colocado Senador Crivella assume o lugar de Garotinho, que começou em primeiro lugar e no Rio Grande do Sul, onde Ivo Santori sequer era cogitado nas pesquisas assume a primeira colocação, alterações que desmoralizam as pesquisas.

Em outros estados, candidatos favoritos a vencerem no primeiro turno são derrotados de forma surpreendente como na Bahia. Já no Rio Grande do Norte, Amazonas e Matogrosso do Sul candidatos considerados eleitos por antecipação correm o risco de serem derrotados no segundo turno.

No que se refere ao legislativo nacional, as esquisitices não ficaram por menos. As manifestações de junho de 2013 que muitos festejaram como sinal de mudanças profundas no resultado eleitoral fracassaram. O poder econômico elegeu quem quis e mandou para o escanteio quem desejava.

Teremos segundo as avaliações dos cientistas o Congresso mais conservador desde a redemocratização, constituído por uma maioria de ruralistas, evangélicos, homofóbicos, defensores da pena de morte e aliados do grande capital. As bancadas dos defensores dos direitos humanos e dos direitos dos trabalhadores foram reduzidas, sinalizando que na próxima legislatura, os trabalhadores e a sociedade civil terão que redobrar suas forças para manterem direitos conquistados até aqui, sendo necessária uma forte aliança do companheiro Paulinho, presidente do Solidariedade com companheiros do PT, Psol, PDT, PSB, comprometidos os direitos humanos e com a classe trabalhadora.

O Solidariedade elegeu a sua primeira bancada, composta por 15 companheiros. Teria sido melhor se a bancada tivesse ficado pelo menos do tamanho que iniciamos o partido em outubro de 2013 com 22 parlamentares, advindos de vários partidos.

No Maranhão, conseguimos finalmente e de forma definitiva derrotar a mais antiga oligarquia do Brasil, comandado pelo Senador Jose Sarney, elegendo Flavio Dino (PCdoB) governador do Maranhão.

O Solidariedade teve papel importante nessa virada histórica no Maranhão, porém fracassamos no objetivo de reeleger seus dois parlamentares, os quais ficaram na segunda e terceira suplência. Os motivos são os mais variados, desde o massacre do poder econômico às debilidades da organização e da unidade partidária.

Mas como dizia Cazuza, a vida não pára. A luta continua e as esperanças em um Brasil mais justo e fraterno também.

Que no domingo o povo brasileiro faça a melhor escolha e se prepare para exigir os compromissos assumidos pelo vencedor, com a certeza de que:

Justiça se faz na luta. Domingos Dutra. Deputado federal (Solidariedade/MA).