Questões sobre negros, índios e movimentos sociais são discutidas em GT do Solidariedade

O terceiro Grupo de Trabalho (GT) promovido pelo Solidariedade, por meio da Fundação 1º de Maio, discutiu temas ligados à Secretaria dos Negros, Índios e Movimentos Sociais. O encontro reuniu secretários do Solidariedade nos estados e ativistas nos dias 15 e 16 desse mês, no Hotel Leques Brasil, na capital paulista. Os primeiros GTs abordaram questões relacionadas às pessoas com deficiência (PCDs) e políticas públicas para jovens.

Durante os debates, os integrantes dos GTs apontaram problemas e soluções para cada segmento. Entre os problemas relacionados à comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros) apontados pelo Grupo de Trabalho estão: homofobia, falta de oportunidades no mercado de trabalho, violência, bullyng nas escolas, falta de apoio aos artistas transformistas, saúde.

A coordenadora LGBT do Solidariedade Salvador, Dion Santyago, considera as discussões necessárias para o desenvolvimento de políticas públicas, além de orientar melhor os integrantes do partido de como os temas devam ser tratados. Dion conta que sua maior dificuldade foi conseguir emprego por ser homossexual e travesti. A solução foi fazer curso de cabeleireiro e maquiagem.

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“Trabalhei durante muitos anos como cabeleireira e maquiadora para conseguir me manter financeiramente. Depois descobri que tinha talento para transformista e também trabalhei nessa área. Com um tempo decidi fazer o que realmente gostava, faculdade de Arquitetura, me especializando em designers de interiores”, conta a coordenadora LGBT.

A violência também é apontada como principal problema enfrentado pelos homossexuais brasileiros. De acordo com dados do Disque 100, divulgados em junho deste ano, somente em 2015, a central registrou mais de 2 mil denúncias de agressões a gays em todo Brasil. Outro dado diz respeito aos assassinatos, já no início de 2016, 132 homossexuais foram mortos. Segundo pesquisa da organização não governamental (ONG) Transgender Europe (TGEU), o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais.

O Grupo de Trabalho sugeriu como solução, aumentar o policiamento em locais que sejam frequentados por gays, como boates, por exemplo.

Índio, negros e MST 

 A discussão do GT não se restringiu apenas ao LGBT, os debatedores abordaram também assuntos relacionados aos índios, negros e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Sobre os índios, o coordenador regional do Solidariedade no Mato Grosso, Paulo Padim, explicou que o problema entre índios e pequenos produtores rurais em todo Brasil são as demarcações de terra, principalmente nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará.

De acordo com ele, as demarcações foram feitas de maneira equivocada sem avaliação e sem pensar em alternativas para o produtor rural. “O governo federal fez as demarcações e deixou para que os índios resolvessem e isso criou conflitos fundiários graves, principalmente no Mato Grosso do Sul. Os pequenos produtores não têm para onde ir. Tem gente que vive nas terras há mais de 50 anos e o governo quer que eles simplesmente as deixem sem oferecer alguma garantia ou alternativas”, disse.

Para Padim, esse problema deve ser discutido mais profundamente pelo Solidariedade e seus parlamentares. Ele sugeriu estudos e avaliações técnicas para que sejam feitos projetos que atendam os interesses indígenas e dos produtores.

Já os produtores rurais do MST que tiveram suas terras regularizadas sofrem com a falta de infraestrutura (estrada e energia) e ausência de incentivo na produção.

O preconceito racial foi outro tema discutido durante os dois dias de debates do Grupo de Trabalho (GT) da Secretaria dos Negros, Índios e Movimentos Sociais. Além do racismo, os negros sofrem com a falta de oportunidades no mercado de trabalho por não ter qualificação e a educação ser precária. A proporção de negros desempregados é sempre superior aos negros ocupados.

A violência também os atinge, principalmente os jovens. Relatório da Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República aponta uma triste realidade que demonstra o quanto os negros estão vulneráveis à violência. Eles são as principais vítimas e têm 2,5 vezes mais chances de serem assassinados no Brasil do que os brancos.

 Temas aprofundados

Após as discussões dos temas, todos os problemas e sugestões serão avaliados pela Secretaria Geral do Solidariedade, já que os Grupos de Trabalho são propositivos e não deliberativos. O objetivo dos encontros é reforçar a organização do partido e dar ferramentas para que as secretarias de movimentos sociais da legenda comecem a atuar a partir das demandas da sociedade.

 Por: Luiza Torres