“Será uma eleição de experimentação”, diz presidente do Solidariedade-RJ sobre Reforma Política

Pela primeira vez desde a redemocratização, tem-se uma reforma política que promete mudar a forma de fazer campanha eleitoral no Brasil. Além de tempo reduzido – de 3 meses para 45 dias -, as eleições deste ano terão teto de gastos, que deverão fazer deste pleito o menos ‘glamouroso’ até onde a lembrança alcança. Some-se a isso um novo país com mais da metade da população se declarando apartidária e tem-se um verdadeiro divisor de águas.

É neste cenário que os presidentes estaduais têm um grande trabalho pela frente. “Essa eleição é de experimentação para todos – partidos, dirigentes, eleitores. E, embora ainda não saibamos o resultado final, periga ser uma faca de dois gumes. Porque tanto pode estimular o caixa dois, como ter um efeito moralizador”, afirma a presidente estadual do Solidariedade do Rio de Janeiro, Noeli Maria do Sacramento.

Solidariedade: Como está sendo a questão da redução de verba e de tempo com as novas regras para disputar eleições? 

Noeli: Olha, estamos um pouco apreensivos, mas o Solidariedade do Rio sempre teve, desde o início, um jeito particular de fazer política, conduzindo tudo de forma fiel à uma ideologia clara e transparente, então estamos confiantes, apesar de tudo. Será uma campanha judicializada, com muitas regras a cumprir, por isso estamos orientando, qualificando e preparando muito bem nossos candidatos para que sigam tudo à risca e com ética.

Solidariedade: Você acha que há privilégios neste novo sistema?

Noeli: Sim. Fatalmente quem é mais conhecido, quem já é uma celebridade, larga a corrida com vantagem. Quem tem recursos próprios também. Mas ao mesmo tempo, é importante impor limites às campanhas. E o Solidariedade é um partido que já nasceu grande, como se diz.

Solidariedade: Como têm sido as filiações pelo Estado?

Noeli: Temos aumentado consideravelmente. Dobramos o número de filiados pra cá desde o ano passado. E como é nossa primeira eleição municipal, o número de filiações com certeza vai se intensificar.

Solidariedade: Enquanto as campanhas convencionais estão sendo reduzidas em vários segmentos, as possibilidades para o uso da Internet como principal plataforma de campanha só crescem. Como você enxerga essa realidade?

Noeli: Acho que a internet e, especialmente, as redes sociais serão ferramentas muito importantes nessa eleição, mas somente para quem souber utilizar de forma correta. Ou seja, ser popular na web não necessariamente significa voto. Essa ferramenta será valiosa para quem souber somar às ações sistemáticas de uma militância treinada e preparada para se tornar soldados virtuais, fazendo um trabalho de multiplicação da informação.

Solidariedade: mas aí não seriam robôs?

Noeli: Não, não. Falo de pessoas reais e contratadas devidamente na lei para fazer este tipo de trabalho. E é um trabalho braçal como qualquer outro.

Solidariedade: O candidato, inclusive, já pode fazer uso estratégico da internet, mesmo antes da rua. O Solidariedade do Rio tem algum aproveitamento neste sentido? 

Noeli: Tanto através do próprio diretório estadual quanto através dos cursos de qualificação que a Fundação 1° de Maio (instituto partidário ligado ao Solidariedade) promove, nós instruímos incansavelmente nossos candidatos e pré-candidatos sobre a melhor forma de usar o período de pré-campanha, sempre dentro das normas legais. Então acho que teremos, sim, um excelente aproveitamento.

Solidariedade: Como é a relação entre o diretório estadual com o nacional? 

Noeli: Digo sempre que tivemos muita sorte com a direção do partido Solidariedade. Pela visão empreendedora, pelo respeito, companheirismo, pelo investimento feito na formação dos quadros… a visão do nosso presidente Paulinho realmente é inovadora. Não há partido que tenha tanta preocupação na formação dos seus quadros quanto o nosso. A Fundação 1° de Maio faz um belíssimo trabalho de estímulo, desenvolvimento, informação, de se preocupar em entregar candidatos e políticas públicas de qualidade para a população. Então, nós (do Rio de Janeiro) humildemente reproduzimos este aprendizado aqui. A Executiva Nacional nos abastece de informação e qualificação e nós tentamos repetir isso nos municípios. Então nossa relação é muito boa, de muita gratidão. 

Solidariedade: Como tem sido as convenções partidárias no RJ? 

Noeli: Surpreendente! Tenho certeza que o partido Solidariedade no Estado do Rio vai sair muito fortalecido e muito grande depois dessas eleições. Sinto os candidatos muito animados e bem preparados. Nós temos a expectativa de fazer pelo menos 70 vereadores (são 88 dos 92 municípios do Estado) e, entre prefeitos e vices, uns 10. E estamos disputando uma grande prefeitura no Estado, que é no terceiro maior colégio eleitoral, na sexta cidade em orçamento: Duque de Caxias. O pleito acontecerá por meio do deputado federal Áureo Lídio. Então essa convenção e futuramente a eleição de Duque de Caxias será um marco na história do Solidariedade-RJ, além de uma perspectiva de fazer pré-candidatos. O partido crescerá não apenas em número, mas em qualidade.

Solidariedade: Quando será a convenção? 

Noeli: Será neste sábado, dia 30 de julho, às 9 horas, no Clube dos 500. Com a presença dos dez partidos com os quais fizemos aliança: DEM, PMB, PRTB, PSDC, PEN, PT do B, PTC, PR e PTB. Tá todo mundo convidado!