Pandemia X Impactos econômicos para as mulheres

O ano de 2020 foi um daqueles de se riscar do calendário. Em fevereiro desse ano assombroso, o Brasil registrava seu primeiro caso de infecção de COVID-19.

Era o início de um período marcado por mais de 10,5 milhões de pessoas infectadas, 254,9 mil óbitos (até fevereiro de 2021) e uma luta desgastante com o negacionismo e a inércia de um governo central desastroso no enfrentamento do vírus.

Mesmo seguindo as orientações de distanciamento social da Organização Mundial da Saúde (a contragosto do governo federal), a população brasileira sentiu os reflexos negativos também na economia. Empresas fechando, desemprego aumentando, renda dos brasileiros e principalmente das brasileiras indo às ruínas.

Diante de tanto desastre, o governo central precisou se mexer e criar mecanismos para amortecer esses impactos negativos na vida dos cidadãos e cidadãs.

O auxílio emergencial criado para proporcionar renda a quem não tinha emprego, foi um alento nesse momento de crise sanitária e econômica. Das 68,2 milhões de pessoas beneficiadas com o auxílio, 37,8 milhões foram mulheres. Não por acaso, pois, elas são maioria da população (52,3% em 2020) e minoria das pessoas com registro em carteira (44,0% até dez/19).

Essa diferença entre homens e mulheres com carteira assinada foi acentuada ainda mais em 2020. Enquanto os homens tiveram saldo (diferença entre admitidos e demitidos) positivo de 230,3 mil novos empregos, as mulheres perderam 87,6 mil postos de trabalhos.

O cenário para as mulheres brasileiras pode ainda piorar em 2021: mais mulheres desempregadas; parcelas do auxílio emergencial cessadas no final de 2020 e o governo central em sua inércia irresponsável, nada faz para solucionar esses problemas, tendo em vista que já estamos ao final do primeiro trimestre de 2021.

O dia 08 de março é cercado de controvérsias quanto da sua origem, mas é consenso que o Dia Internacional da Mulher foi instituído através de movimentos de afirmações e de luta, contra a opressão e segregação até então impostas a elas.

Que essa data em 2021, sirva para todos nós refletirmos e compreendermos que, passado mais de um século do início desse marco fundamental, muito ainda há de ser feito para garantir direitos e igualdade para as mulheres.