PANDEMIA: Desemprego atinge mais as mulheres

Além do aumento da violência contra a mulher durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, nos deparamos com outro cenário desolador: o desemprego. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo IBGE, o desemprego atinge 14,5% das mulheres, enquanto 10,2% dos homens estão sem ocupação.

O relatório “Mulheres no centro da luta contra a crise Covid-19”, divulgado no final de março pela ONU Mulheres, revelou que dentre a população feminina mundial, as trabalhadoras do setor de saúde, doméstico e informal são as mais afetadas pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

Segundo o IBGE, 38 milhões de pessoas no Brasil estão abaixo da linha pobreza; dessas, pelo menos 27,2 milhões são mulheres; elas também são a maioria entre a população idosa (56%) que sobrevive sozinha e com pequenos recursos.

Se já não bastasse, de acordo com dados do IPEA, 31,8 milhões de famílias do país (45,3% do total) são chefiadas por mulheres e, em tempos de pandemia, ainda têm que cuidar dos filhos e trabalham arduamente nos seus lares.

A ONU Mulheres emitiu um conjunto de recomendações, colocando as necessidades e a liderança feminina no centro de uma resposta eficaz para o enfrentamento do COVID-19:

– Garantir a disponibilidade de dados desagregados por sexo, incluindo taxas diferentes de infecção, impactos econômicos diferenciais, carga de atendimento diferenciado e incidência de violência doméstica e abuso sexual;

– Incorporar as dimensões e as pessoas especialistas em gênero nos planos de resposta e nos recursos orçamentários para incorporar a experiência em equipes que cuidarão do assunto;

– Fornecer apoio prioritário às profissionais na linha de frente, por exemplo, melhorando o acesso a equipamentos de proteção individual e produtos de higiene menstrual para profissionais de saúde e prestadores de cuidados de saúde, e acordos de trabalho flexíveis para mulheres com uma carga de cuidados;

– Garantir voz igual para na tomada de decisões na resposta e no planejamento de impacto a longo prazo;

– Garantir que as mensagens de saúde pública sejam direcionadas adequadamente às mulheres, incluindo as mais marginalizadas;

– Desenvolver estratégias de mitigação que visem especificamente o impacto econômico do surto e desenvolver a resiliência feminina;

– Proteger serviços essenciais de saúde para mulheres e meninas, incluindo serviços de saúde sexual e reprodutiva e;

– Priorizar os serviços de prevenção e resposta à violência de gênero nas comunidades afetadas pelo COVID-19.

Algumas perguntas ficam sem resposta nesse momento:

Quanto dessas recomendações estão sendo realizadas no nosso país?

Quais soluções os governos (ou desgovernos, em alguns casos) estão tomando em relação a retomada da economia para as mulheres?

O que fazer com as crianças que estão sem escolas e creches e com as mulheres que tem de procurar novos empregos ou aquelas que não perderam, mas tem que voltar ao trabalho?

Essas são apenas algumas das preocupações que nós mulheres temos que enfrentar em tempos de pandemia. Acreditamos na solidariedade das pessoas para nos ajudar a resolver os problemas que nos afligem e, na nossa união; pois somos fortes e guerreiras, numa luta contínua diariamente.