“Inconcebível que a Capital da República mantenha um lixão a céu aberto”, diz deputado Augusto Carvalho

Estrutural é o destino final do lixo brasiliense há 50 anos

Em visita ao Lixão da Estrutural no começo deste mês de Julho, o deputado Augusto Carvalho conversou com trabalhadores do local sobre as questões insalubres de trabalho e chama a atenção das autoridades para o sério problema envolvido na dinâmica deste lixão.

“É inconcebível que a Capital da República mantenha há 50 anos um lixão a céu aberto classificado como o maior do mundo”, indignou-se. “Como pode entrar governo e sair governo e não evoluirmos nas questões ambientais que ferem e afetam a imagem do nosso país? É uma vergonha nacional. Uma vergonha para todos nós, brasileiros”.

Durante a visita, Augusto foi informado que cerca de 50 catadores já foram vítimas fatais do próprio trabalho, e morreram esmagadas em meio ao lixo. O último caso de morte ocorreu há pouco mais de três meses. “Quando o caminhão chega para despejar o lixo, a disputa é tão grande que as pessoas brigam na faca. Muitos aqui andam armados e a confusão é tanta que a pessoa cai e ninguém vê. Quando a gente percebe, foi mais um esmagado pelo caminhão”, informou um catador que não quis se identificar.

Mesmo diante do perigo e das condições insalubres de trabalho, muitas mulheres, gestantes, idosos e crianças estão envolvidos neste trabalho. São aproximadamente duas mil famílias que sobrevivem desta atividade econômica. Mais de 200 toneladas de lixo são depositadas diariamente no Lixão da Estrutural, durante 24 horas ininterruptas.

Alem da esfera social e da polêmica dos catadores, Augusto revela outra preocupação com o lixão, que está situado entre o Lago Paranoá, cartão postal de Brasília, e a Área de Proteção Ambiental do Parque Nacional, popularmente conhecido como Água Mineral. A contaminação subterrânea provocada pelo chorume que penetra no solo e atinge o lençol freático tem avançado e está contaminando tanto o Lago Paranoá quanto a Lagoa Santa Maria, que está localizada dentro do Parque Nacional e faz divisa com o Lixão.

A água desta lagoa abastece 75% da população de Brasília, que equivale a 25% de todo o Distrito Federal. As chácaras de produção de alface e demais hortaliças vendidas em muitos mercados tradicionais da cidade também recebe água contaminada que desce das montanhas de lixo em decorrência das chuvas. Estes alimentos estão chegando à mesa do consumidor brasiliense com iminência de contaminação.

Para o deputado, “não é possível que este governo não encontre uma alternativa em respeito aos moradores desta cidade, uma solução razoável que se enquadre nos rigores da Política Nacional de Resíduos Sólidos do nosso país”.