Eleições e as Pessoas com Deficiência

As eleições municipais se aproximam e temos um cenário totalmente indefinido sobre sua data e formato. A certeza que se apresenta é que a participação da pessoa com deficiência no processo eleitoral vem gradativamente se consolidando como votante, causada pela instalação de equipamentos de acessibilidade e adaptados, de instalações de seções eleitorais em locais de fácil acesso e alteração da zona de votação próxima a residência.

Porém, analisando as informações apresentadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as eleições no Brasil no ano de 2018, percebemos que é necessário discutir e aprofundar sobre a participação das pessoas com deficiências nas eleições como candidato.

Levando em consideração que as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida representam quase 20% da população brasileira, o número de candidatos eleitos no processo eleitoral de 2018 foi minúsculo. Apenas dois nomes foram eleitos para representar a nossa luta.

Eleito pelo estado do Espírito Santo, Felipe Rigoni, de 27 anos, é o único deputado federal com deficiência visual na Câmara dos Deputados. Já em São Paulo, temos a Mara Gabrilli, que tem deficiência física, eleita senadora da república. A soma de senadores e deputados eleitos é de 594, o que evidencia a baixíssima representatividade das pessoas com deficiência no Poder Legislativo Federal.

É urgente a necessidade de ampliar o número de candidatos e a Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência do Solidariedade tem como meta conscientizar a população sobre a igualdade de direitos e deveres, com iniciativas que possam envolver todos os agentes necessários, para que as eleições municipais de 2020 sejam o início da quebra de paradigma desse público.

Como secretário nacional, não posso aceitar que candidatos que não nos representam, falem como representantes da nossa causa. Esses se apresentam apenas a cada dois anos em época de campanha eleitoral, sem o menor compromisso com as pessoas com deficiência.

Possuo deficiência física e por isso, sei da nossa luta, batalhamos desde o dia do nosso nascimento, por direito à vida, por inclusão e acessibilidade. Nossa maior barreira sempre foi o preconceito com a diferença. Porém, a nossa garra e força de vontade deve nos mover em uma nova direção, só assim, construiremos uma sociedade mais inclusiva, justa e solidária.