Dia Nacional de Luta contra a violência à Mulher: Temos o que comemorar?

Dia 10 de outubro é o dia Nacional de Luta contra a violência à Mulher, uma data que foi instituída em 1980. O movimento se originou em SP, quando mulheres protestaram nas escadarias do Teatro Municipal contra o aumento de números de violência de gênero em todo o país.

Infelizmente, passaram-se 40 anos, e o número de casos de agressões ainda assola e envergonha toda a sociedade. As estatísticas ainda são muito altas e a violência física ainda segue chocando a população.

Como consequência da pandemia em virtude do novo coronavírus, vimos aumentar drasticamente os casos em razão do confinamento da vítima com seus algozes, mas não podemos deixar de falar da violência psicológica, que é tão devastadora quanto a violência física, pois essa é as vezes silenciosa, intrafamiliar e causa danos irreparáveis.

Quando uma mulher é humilhada, xingada, diminuída, insultada ou ridicularizada, isso traz consequências tão graves quanto ela ser agredida fisicamente. Sem falar no aumento do feminicídio que, somente entre janeiro e julho deste ano, já atingiu a marca de 101 casos, 12% a mais que no mesmo período de 2019.

Estamos longe de alcançar a equidade de gênero. As mulheres são a maioria dos pacientes da rede pública vítimas de agressões, recebem salários menores e ainda somos subrepresentadas nos espaços de poder e com pouca representatividade na política. Isso é avassalador.

A violência contra a mulher é um problema com raízes profundas. Enquanto nós não ocuparmos os espaços de poder, não poderemos influenciar em leis e políticas públicas que envolvam o aspecto de gênero, e isso impacta diretamente na questão da segurança das mulheres.

O principal objetivo desta data é o de estimular uma reflexão sobre o elevado número de violência contra a mulher.

É certo que a Lei 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha, agravou as penas para os crimes de violência doméstica, como também instituiu medidas protetivas. Porém, ainda há muito o que fazer.

Temos que empreender esforços para mobilizar a sociedade não só sobre o alto número de vítimas, mas também sobre todas as diferenças que nos envolvem.

Estamos em um ano de eleições municipais, onde elegeremos prefeitos, prefeitas, vereadores e vereadoras em todo o país. Aumentou o número de candidatas em todo o Brasil. Foram registradas 33% de mulheres, mas ainda assim, além do número ser muito baixo, já que somos mais de 50% do eleitorado, a chance de uma mulher se eleger ainda é bem menor que as dos homens.

Temos menos recursos e menos tempo de dedicação à política, e em consequência menos capital político para alcançarmos sucesso.

Apesar da obrigatoriedade de reserva de vagas na composição das chapas, ainda não alcançamos 30% de eleitas, pois, nas Câmaras municipais foram eleitas em média 13% de mulheres.

A vida privada de uma mulher sempre é questionada quando ela se coloca candidata, coisa que não acontece com os homens. Será que uma mãe pode estar na política? Será que uma dona de casa pode estar na política? Uma profissional pode estar na política? Pois bem, podemos sim estar onde quisermos.

Vamos mudar esse cenário, vamos empreender esforços para transformarmos essa triste realidade. Que essa data, que foi instituída há 40 anos, seja realmente de conscientização e mudança de dias melhores, de uma sociedade mais justa.