Churrasco sábado. E daí?

É impressionante como Bolsonaro não se comove com as mais de 10 mil mortes de seu país causadas pela Covid-19 e, se não bastasse, minimiza o tempo todo a pandemia. Diariamente o presidente desobedece as recomendações da OMS e do seu próprio ministro da Saúde, de isolamento social, e planeja um churrasco no Palácio do Planalto, neste sábado (9).

Confessando a sua irresponsabilidade, o presidente fez o convite em público: “Vou fazer churrasco sábado aqui em casa. Vamos bater um papo, quem sabe uma peladinha. Devem ser uns 30 convidados. Não vai ter bebida. Vai ter vaquinha, R$ 70,00”. Ontem, no dia em que o Brasil registrou recorde de 751 mortes por coronavírus em 24h, Bolsonaro confirmou a realização da festa e, desta vez, disse que será para 3 mil pessoas.

É inimaginável fazer uma comemoração ou confraternização neste momento, ainda mais com as presenças de ministros, autoridades, servidores públicos e o presidente da República, enquanto mais de 10 mil famílias choram as mortes de seus parentes.

As previsões para as próximas semanas são ainda piores e tendem a aumentar, cada vez mais, se o isolamento social não for respeitado, pois é a única medida conhecida mundialmente para combater o vírus.

A falta de sensibilidade se confunde com a inconsequência do governo quando assistimos as imagens dos hospitais e cemitérios de Manaus, Fortaleza, Belém e do mundo todo acerca dessa contaminação.

Filhos sensatos em preservar a saúde de seus pais permanecerão distantes deles, amando-os de longe e trabalhando para que eles permaneçam vivos e presentes em suas vidas. Agentes públicos que, de fato, tenham consciência da importância da vida de seus familiares não podem contribuir com uma imagem tão sofrível quanto acompanhar o presidente Bolsonaro em uma confraternização e depois a uma visita a casa de sua mãe no Vale do Ribeira. Espero que a população de São Paulo e do Brasil seja preservada dessa imagem tão ruim para o país.

Não dá para aceitar tal descaso com o ser humano. Pare, presidente! Não seja omisso. Fazer festas e participar de manifestações para reabrir o comércio não irá minimizar a situação. A conta vai chegar e o senhor terá que responder pelas vidas perdidas. Respeite as regras da OMS e os votos que lhe foram confiados para cuidar do Brasil e da saúde do povo. Mas, o seu silêncio já seria uma grande evolução.

Luiz Adriano
Secretário-geral nacional do Solidariedade