As ferramentas que estão salvando as pré-campanhas na quarentena

É certo que muitos pré-candidatos, acostumados com a forma tradicional de fazer campanha política, não acreditavam no poder da internet e das redes sociais. Alguns ficaram surpreendidos ao ver na última eleição, para majoritária, candidatos com pouco tempo de televisão alcançarem resultados expressivos e atingirem a vitória.

Já para os candidatos que trabalham com redes sociais e conhecem as ferramentas do marketing político digital não foi espanto algum e passaram a investir mais nesse instrumento de comunicação.

O que muito se houve falar é que fazer campanha pela internet é barata e sem custo, um verdadeiro engano. As mídias sociais são instrumentos de relacionamento e para conquistar seguidores e construir relação com engajamento leva tempo, investimento e dedicação. É preciso impulsionar e fazer anúncios para atingir um número maior de pessoas e conseguir mais seguidores.

No entanto, percebo que a maioria dos pré-candidatos não sabem por onde começar e muitas vezes cometem diversos erros. É certo que errar faz parte do aprendizado, mas, errar em um momento em que as eleições estão prestes a acontecer pode ser um verdadeiro tiro no pé. Tenha em mente que o segredo das redes sociais é trabalhar de forma segmentada, seja ela por bairro, por idade ou por categorias de interesse como, animais, mulher, idoso e tantas outras.

É importante entender que números de seguidores, sem engajamento, não quer dizer voto. O voto na internet é muito mais difícil de ser conquistado porque não existe o toque, o comprometimento olho no olho. Cabe ao pré-candidato conquistar o eleitor pelas propostas e pelo debate de ideias.

Entenda que a conquista depende do que o eleitor quer ouvir e não do que você, enquanto candidato, quer falar. Para saber o que seus seguidores e possíveis eleitores estão interessados é preciso obter informações. É fundamental saber quem é o seu público, quais as reais necessidades e quais os desejos dessa população ou desse nicho que pretende trabalhar e ajudar.

Para que o trabalho na internet tenha sucesso é preciso analisar o cenário e somente depois planejar e executar. No entanto, estamos em um momento atípico e é necessário ter cautela para falar de candidatura.

Comece pelo simples, contando sua história, mas você precisa acreditar que ela tem valor e contá-la com esse olhar. Mostre sua preocupação e suas angustias neste momento de isolamento social e se coloque a disposição para ajudar. Crie material que possa explicar ou ensinar como passar com mais facilidade por essa crise.

As eleições, provavelmente serão adiadas e haverá o tempo para expor suas ideias e propostas de construção de um futuro melhor para o seu município. E quando este momento chegar, esteja pronto para dialogar com a população.

Mas, a pré-campanha está acontecendo e este é o momento para se organizar, tornar-se conhecido e engajar as pessoas. Então, com a sua equipe de trabalho, parentes e amigos mais íntimos você pode falar de suas propostas, pedir o apoio e convidá-los para te ajudar na divulgação e no planejamento.

Nem as grandes empresas tecnológicas estavam totalmente preparadas para atender as necessidades da sociedade para o enfrentamento da quarentena. O próprio WhatsApp só habilitou chamadas de vídeo com até 8 pessoas após o isolamento social. O Facebook criou a “sala” para chamadas de vídeo e o “Ao Vivo”, do Instagram, ganhou força para a realização de lives.

Eu sempre orientei aos pré-candidatos para identificarem a rede que é utilizada pelo seu público-alvo para poder trabalhar e que as redes mais utilizadas pela população e que devem ter atenção especial são: Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp, Youtube e um site para organizar as informações.

Engana-se quem pensa que o atual presidente ganhou as eleições com a sua página de Facebook ou Instagram. A principal ferramenta utilizada por ele foi o WhatsApp. Mas cuidado: não é permitido comprar listas, você precisa criar a sua; atenção com os grupos, que pode se tornar um transtorno; prefira as listas de transmissões, mas, para a pessoa receber a mensagem, ela precisa ter o seu número salvo na agenda do celular dela.

Neste período, aplicativos como o Zoom e o Teams, que tinham pouco uso, ganharam evidencia e estão sendo muito utilizados pela população, empresas e instituições de ensino para fazerem reuniões e, no caso das escolas, vídeo aulas. Se ainda não conhece, vale a pena apreciar, pode te ajudar bastante neste momento.

Por fim, a minha dica é para não esperar a definição do adiamento das eleições para começar a trabalhar. Mesmo com a pandemia e de maneira sutil, as pré-campanhas estão acontecendo e quem deixar para depois, pode ser tarde demais.

Sucesso a todos!