Reforma agrária e agricultura familiar

Antes de qualquer debate, precisamos esclarecer o significado das palavras “reforma agrária”, que agem em conjunto: a reorganização tem por objetivo a distribuição fundiária mais justa e que contemple os menores agricultores que, em sua esmagadora maioria, praticam agricultura familiar nas mais diversas cadeias produtivas de nosso país; com isso, podemos observar como é importante ter a distribuição de terras de modo igualitário.

Já o termo   se relaciona às diversas formas de plantio e cultivo oriundos de grupos familiares, essas produções se dão em terras com menores dimensões, mas com grande diversidade produtiva, permitindo que as famílias, além de produtoras, se tornem comerciantes. Dados do Censo de 2017 apontam que mais de 70% da alimentação do povo brasileiro se origina desta forma de plantio.

Segundo apontamento do Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), atualmente, a agricultura familiar corresponde a 38% do PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário do país, o que nos revela o quão importante é esta forma de cultivo em todo o mundo. Por ser um país extremamente diversificado e com peculiaridades locais, a diversidade produtiva beneficia as famílias e pequenos agricultores, que comercializam suas produções em mercados locais e ampliam suas rendas.

Outro ponto que podemos salientar é o modo em que a agricultura familiar cresce no país. Hoje, essa modalidade de plantio, além de auxiliar na geração de emprego e renda para diversas famílias do campo, atua no combate à fome e traz melhor qualidade de vida aos polos urbanos, pois, normalmente, as plantações são livres de agrotóxicos.

O Solidariedade busca o fortalecimento agrícola de grupos familiares, pequenos e grandes agricultores de acordo com cada uma de suas necessidades, incentivando não só o plantio, mas também a pesca e a agregação de valor em cada um dos produtos comercializados, assim, a agricultura familiar cresce, a economia gira e não irá faltar boa comida na mesa de toda a população.

Jefferson Coriteac é vice-presidente nacional do Solidariedade.