A luta da mulher com deficiência diante das diversas formas de abuso

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em todo o mundo em 8 de março, é um símbolo das lutas e reivindicações pelos seus direitos contra o sexismo e a desigualdade de gêneros. No entanto, as mulheres com deficiência ou mobilidade reduzida, ou ainda, as mães de filhos com alguma deficiência, sofriam muito mais. Sim! A luta pela igualdade no emprego e direito ao voto foi um grande passo para garantias fundamentais existentes hoje em dia.

Neste artigo, gostaria de mencionar as mulheres com algum tipo de deficiência ao longo da história. As pessoas com deficiência eram tratadas de várias formas, como pensamentos influenciados por Aristóteles, que definiu a premissa jurídica até hoje aceita de que: “tratar os desiguais de maneira igual constitui-se em injustiça” – os deficientes eram amparados e protegidos pela sociedade, mas também, eram maltratados.

Pessoas com deficiência sofriam a rejeição e eliminação sumária, tinham permissão de serem sacrificadas quando nasciam com algum tipo de deficiência, os bebês e as pessoas que adquiriam alguma deformidade ao longo da vida, eram lançados ao mar ou em precipícios.

Em dias atuais, as coisas não mudaram muito, percebemos milhares de pessoas com deficiência, e, em sua maioria mulheres, sofrendo todo tipo de violência. Temos aproximadamente 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, das quais a maioria, 53,58%, são mulheres sendo maltratadas, segregadas e deixadas para trás na maioria das políticas públicas, até mesmo no plano de vacinação contra a Covid-19.

Quando os primeiros países começaram o isolamento, a ONU Mulheres lançou um alerta mundial advertindo autoridades políticas, sanitárias e organizações sociais sobre a forma como a pandemia da Covid-19 e o isolamento social poderiam afetar as mulheres – tanto através da sobrecarga de trabalho, como através do incremento dos índices de violência doméstica e diminuição de acesso a serviços de atendimento. De fato, dados recentes, apontam aumento nos casos de feminicídio no Brasil.

As mulheres, especialmente as mais pobres, chefes de família e com filhos com ou sem deficiência, foram afetadas de diversas maneiras: perda da renda, falta de creches e escolas, impossibilidade de adotar medidas de distanciamento social e o aumento da violência doméstica, são alguns dos fatores que mais tiveram impacto sobre a vida das mulheres, literalmente.

Importante ressaltar que o abuso sexual contra meninas e mulheres com deficiência – é uma epidemia sobre a qual ninguém fala. Um estudo divulgado pelo Unicef revelou que crianças com deficiência têm probabilidade três ou quatro vezes mais alta de serem vítimas de violência – seja negligência, violência física, psicológica ou sexual.

O Solidariedade criou a Secretaria da Pessoa com Deficiência para garantir o cumprimento dos direitos das pessoas com alguma privação, e neste mês, onde comemoramos e refletimos a luta das mulheres ao longo da história, é urgente a participação ativa da sociedade para transformação da realidade de todas elas, com iniciativas que possam envolver todos os agentes necessários à promoção de uma sociedade mais inclusiva, justa e solidária.