Setor de serviços cresce 0,8% em outubro e tem 2ª alta seguida, diz IBGE – G1

O volume do setor de serviços cresceu 0,8% outubro, na comparação com setembro, segundo divulgou nesta quinta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com outubro do ano passado, a alta foi de 2,7%.

Trata-se da segunda alta seguida e o 6º resultado mensal positivo no ano. Foi também o melhor resultado para meses de outubro desde 2012, quando houve alta de 1%.

Recuperação ganha ritmo

No ano, o setor passou a acumular avanço de 0,8%. No acumulado em 12 meses, o setor mostrou ganho de ritmo, ao passar de uma alta de 0,7% em setembro para 0,8% em outubro, mas ainda segue abaixo do nível registrado em julho, quando acumulava alta de 0,9%.

Segundo o IBGE, o setor de serviços assinala um crescimento acumulado de 3% entre julho e outubro deste ano, revertendo a perda de 1,8% observada no período entre janeiro e junho de 2019 e avançando 1,2% frente ao patamar de dezembro de 2018.

Em termos de patamar, o volume de serviços prestados no Brasil ficou 9,7% abaixo do pico, registrado em novembro de 2014. “Isso equivale ao patamar de meados de 2016”, apontou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.
Segundo o pesquisador, essa é a primeira vez em que se percebe um movimento mais claro de recuperação do setor de serviços. “Entre março de 2017 e meados deste ano, o que a gente observava era que o setor de serviços oscilava entre perda e ganho [crescia em um mês, caía no outro]. Agora, podemos dizer que nesses últimos quatro meses ele recuperou 3 anos e 3 meses”, disse.

Questionado se é uma recuperação consistente, ele ponderou que ainda é cedo para tal afirmação, mas enfatizou que se trata de uma mudança significativa do comportamento do setor. que passou a registrar “crescimento de forma disseminada, espalhado entre todas as atividades”.

Serviços audiovisuais crescem 6,7% no mês

Segundo o IBGE, entre as cinco atividades pesquisadas, quatro tiveram alta, com destaque para o setor de serviços de informação e comunicação (1,8%), impulsionado tanto pelo segmento de tecnologia da informação (2,6%) e pelo audiovisual (6,7%).

Veja a variação do volume de serviços em outubro, por atividade e subgrupos:

  • Serviços prestados às famílias: 1,5%
  • Serviços de alojamento e alimentação: 2%
  • Outros serviços prestados às famílias: -1,4%
  • Serviços de informação e comunicação: 1,8%
  • Serviços de tecnologia da informação e comunicação: 0,6%
  • Telecomunicações: -0,2%
  • Serviços de tecnologia da informação: 2,6%
  • Serviços audiovisuais: 6,7%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: 0,1%
  • Serviços técnico-profissionais: 3,4%
  • Serviços administrativos e complementares: -1%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: 1,1%
  • Transporte terrestre: 0,9%
  • Transporte aquaviário: 2,7%
  • Transporte aéreo: 1,4%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: 1,9%
  • Outros serviços: -0,3%

Das 27 unidades da federação, 22 registraram alta em outubro, na comparação com setembro, com destaque para Rio de Janeiro (2,0%), São Paulo (0,5%) e Santa Catarina (3,7%). Já as maiores quedas ocorreram em Roraima (-7,9%), Acre (-4,5%) e Tocantins (-1,9%).

Perspectivas para a economia

O ritmo de recuperação da economia mostra sinais de melhora nesta reta final do ano e tem feito os analistas de mercado elevar as projeções para o crescimento do PIB de 2019 e 2020.

A produção industrial brasileira, por exemplo, cresceu 0,8% em outubro, na terceira alta mensal seguida. No acumulado no ano, entretanto, o setor industrial ainda acumula queda de 1,1%.

As vendas do varejo cresceram apenas 0,1% em outubro, mas no acumulado em 12 meses o avanço acelerou para 1,8%.

Entre os fatores que têm contribuído para um maior consumo interno, os analistas citam a queda da taxa básica de juros (Selic), a inflação sob controle, a expansão do crédito, os saques do FGTS e a recuperação do mercado de trabalho, ainda que em ritmo lento e puxada pela informalidade, o que tem feito aumentar a massa salarial e o número de brasileiros ocupados e com alguma renda.

Os economistas das instituições financeiras passaram a projetar uma alta de 1,1% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2019, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central. Para o ano que vem, a previsão de crescimento subiu de 2,22% para 2,24% – quinta alta seguida.

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