Filiados a menos de dois anos são maioria dos eleitos em 13 partidos – Metrópoles

Além da expansão de três dígitos, os partidos tem um outro ponto em comum: mais de dois terços dos prefeitos eleitos são filiados às siglas a menos de dois anos. O dado evidencia uma estratégia utilizada pelos partidos do centrão para ganhar mais gestores locais, que é a de buscar nomes já consolidados no cenário local ou até mesmo políticos em primeiro mandato.

Do outro lado estão os partidos que privilegiam os quadros formados na base. O maior exemplo é o PT, que tem apenas 20% dos prefeitos eleitos filiados à sigla a menos de dois ano. No MDB, esse percentual é de 21,6%.

O professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer apontou que a estratégia dos partidos obedece a uma regra informal de que partido com mais prefeito vai eleger mais deputados federais. Ter uma bancada significativa na Câmara dos Deputados significa mais dinheiro do fundo eleitoral, já que esse é o critério utilizado para definir quanto cada sigla receberá.

Ainda de acordo com o especialista, por esse motivo as siglas buscam ex-prefeitos ou os atuais mandatários municipais. “A mudança vai depender do perfil do candidato e do partido ao qual ele pertence. O PT, por exemplo, tem um grau maior de fidelização”, prosseguiu.

Para chegar aos resultados, o (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, cruzou as informações dos filiados à partidos políticos com os resultados das eleições municipais deste ano. O gráfico a seguir mostra as informações para todos os partidos que tiveram 30 ou mais prefeitos eleitos.

Dois exemplos mostram bem a estratégia de buscar pessoas já conhecidas no cenário local. O primeiro é o prefeito eleito de Águas Formosas (MG), cidade de 19,2 mil habitantes perto da divisa de Minas Gerais com a Bahia e a 590 km de Belo Horizonte. Carlinhos, como é conhecido Carlos Souza, foi candidato pelo MDB em 2016 e ficou em segundo lugar com 43,3% dos votos válidos. Neste ano ele concorreu pelo Avante, partido no qual se filiou em 4 de abril deste ano, e venceu com 45,19% dos votos válidos.

A data de filiação de Carlinhos é a mesma de outros 60 prefeitos eleitos, pois ela marca o limite para que uma pessoa pudesse entrar em uma sigla e participar das eleições municipais. A história se repete em uma cidade pequena de Minas Gerais, Cruzeiro da Fortaleza. Os 3,6 mil habitantes do município entre Uberlândia (MG) e Patos de Minas (MG) reelegeram Agnaldo Silva em 2020. Apenas uma coisa mudou: o partido de Silva era o MDB em 2016 e o Avante, em 2020.

De acordo com o secretário-geral nacional do Solidariedade, Luiz Adriano, o partido está aberto a qualquer prefeito que se sinta incomodado na agremiação onde está. “Nós trabalhamos de modo que cada filiado se sinta confortável dentro da nossa sigla e participe de projetos futuros, pois nosso objetivo é fideliza-lo”.

Ele acrescentou: “Até mesmo os prefeitos que não foram eleitos em outras legendas serão convidados a fazerem parte do Solidariedade e de um novo projeto, com o intuito de ajudar o partido a crescer cada vez mais”. A sigla elegeu quase 100 prefeitos em 2020, uma alta de 52% na comparação com 2016. Desse montante, 45 entraram na agremiação a menos de dois anos.

Já o Republicanos, que tem quase 70% dos prefeitos eleitos a menos de dois anos no partido, disse apenas que “é um partido jovem, com 15 anos de fundação, e tem buscado não apenas manter sua própria renovação como também a renovação política no Brasil”.

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