Empresários tentam se adaptar ao abre e fecha do comércio durante a pandemia – G1

Em muitas cidades brasileiras, os empresários precisam lidar com o abre a fecha do comércio por causa da quarentena, como a Rosana Cambra, que depois de quase três meses com a loja de roupas fechada, reabriu no começo de junho. Porém, 15 dias depois, o comércio não essencial de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, teve que baixar novamente as portas.

“Hoje é de uma forma, amanhã muda tudo, semana que vem eu não sei como vai ser, então nós estamos trabalhando sem planejamento nenhum”, conta Rosana.

A loja tem um custo fixo mensal de R$ 30 mil com funcionários, aluguel e impostos. Para atrair clientes na volta, Rosana investiu esse mesmo valor em novos modelos de roupas, que encalharam.

“Nós fizemos compras para a loja. Se eu soubesse que o comércio voltaria a ser fechado tão rápido, eu teria evitado esse gasto e essas compras”, lamenta a empresária.

Um vai e vem que complica a situação de quem já está quase sem fôlego.

“Se a paralisação é o remédio para o problema, então vamos fazer da forma certa. Mas quando abrir, que abra num período mais longo, não por quatro horas. Não é suficiente, atrapalha mais, porque essas quatro horas, você não consegue fazer nada e atrai um número de pessoas que gera aglomeração”, sugere Rosana.

A empresária se adaptou e daqui pra frente só vai ter estoque pra uma semana. É o que recomenda o consultor de negócios, Adir Ribeiro. “Eu posso viver meses e anos sem lucro, mas eu não vivo semanas sem fluxo de caixa. Isso talvez seja um grande aprendizado junto com essa resiliência que estamos desenvolvendo”.

O empresário Lucas Camargo é sócio de uma franquia de academia de lutas com oito unidades em quatro estados e fora do país. Em Curitiba, o negócio passou mais de dois meses fechado – só manteve as aulas online.

“Existe um vínculo. Geralmente na unidade, academia, esse vínculo de pessoas, de amizade, de pertencer. Estar naquele time. Então isso é muito difícil, você não consegue levar isso para o ambiente virtual”, fala Lucas Camargo.

Quando reabriu, no começo de junho, Lucas fez pacotes, promoções para conseguir recuperar só metade dos alunos. Mas as academias fecharam de novo, por causa da alta no número de casos de Covid-19 na cidade.

“Pessoal começa a ficar assim, está sem dinheiro, e fecha de novo, aí tudo aquilo que a gente estava construindo tentando argumentar para poder manter, aí vem com mais uma foice, realmente prejudica muito.”

Lucas investiu R$ 5 mil em divulgação e equipamentos especiais para proteção contra o novo coronavírus. Com o caixa curto, pode ter que demitir.

“É um ciclo, todo mundo depende de todo mundo, a gente podia estar resguardando alguém que vai ter que encerrar agora.”

Enquanto a situação não se normaliza, é preciso se preparar para quarentena a ioiô. O consultor Adir recomenda:

  • Planejar no curtíssimo prazo;
  • Investir aos poucos;
  • Negociar com fornecedores a venda em consignação;
  • Se informar o tempo todo.

“Para mim o momento agora é apertar a tecla SAP: Sobrevivência, Agilidade e Protagonismo. Os cenários são de muita incerteza, há um pensamento focado nas startups, que é mais rápido do que perfeito. A gente não vai ter todas as informações para essa decisão, aí vai ter que ir acertando e corrigindo com rapidez.”

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