O PT se tornou o ‘Partido dos Traidores’

O 6 de maio de 2015 entrará para a história do Brasil como o dia em que o partido que se arvorava o maior defensor dos trabalhadores brasileiros traiu justamente aqueles que jurava defender. Nesse dia foi aprovada no Congresso Nacional a medida provisória do governo Dilma Rousseff que tirou direitos como o seguro-desemprego, o abono do PIS/Pasep e o seguro-defeso dos pescadores. Dos 64 deputados do PT, 54 traíram os trabalhadores e votaram a favor dessa medida. O placar pela aprovação daquilo que o governo chama de “ajuste fiscal” foi de 252 a 227 votos –uma diferença de apenas 25 votos. Se o PT tivesse votado contra, a medida não seria aprovada.

Foram necessários muitos anos de luta para que o movimento sindical fizesse o governo construir uma rede de proteção aos trabalhadores nos momentos de dificuldade. Agora, para conseguir o seguro-desemprego pela primeira vez, o trabalhador terá que provar que teve a carteira assinada por 12 meses nos últimos 18 meses. A medida penaliza principalmente os mais jovens. Quem acabou de entrar no mercado de trabalho, e perdeu o emprego, não terá direito ao benefício. Os cerca de 2,6 milhões de trabalhadores rurais que trabalham por prazo determinado, em épocas de safra, também não.

Para receber o abono do PIS/Pasep, que é pago a quem ganha até dois salários mínimos, o trabalhador terá que provar pelo menos três meses de registro em carteira e receberá um valor proporcional ao tempo trabalhado, e não mais um salário mínimo integral. E os pescadores precisarão provar que exercem a atividade há no mínimo um ano e terão que mostrar nota fiscal para comprovar isso. Quantos pescadores artesanais emitem nota fiscal?

Ou seja: o pacote de maldades da Dilma afetou justamente os mais pobres. E esse pacote, para agradar banqueiros, teve o apoio do PT. Ao mesmo tempo, o governo eleva a taxa de juros e aumenta ainda mais o lucro desses mesmos banqueiros. Seria o caso de mudar o nome de PT para PB (Partido dos Banqueiros).

Artigo publicado no jornal Diário de S.Paulo, em 11 de maio de 2015