Juros e desemprego!

É incrível a falta de percepção do atual governo no que se refere à sua insistência em manter a taxa básica de juros (Selic) nas alturas, mesmo sabendo que isto influencia diretamente na taxa de desemprego, fazendo-a chegar, no médio prazo, aos atuais quase doze milhões de desempregados no País.

Juros altos e desemprego andam de mãos dadas. Os juros altos afastam os investimentos em todos os setores de atividade e inibem o consumo. Sem investimentos e com o consumo reduzido a produção retrai, o comércio não vende, obras são paralisadas e a economia desacelera com vigor. Até nas mesas das famílias brasileiras dá para se notar os malefícios que este círculo vicioso provoca.

O governo atual, inclusive, já perdeu algumas oportunidades de dar início à reversão deste quadro recessivo reduzindo a Selic. Esperamos – e vamos continuar pressionando para que isto aconteça – que na próxima reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) do BC, que acontecerá nos dias 18 e 19 de outubro, os tecnocratas no governo esqueçam seu excesso de conservadorismo, despertem para a realidade e atendam aos anseios dos trabalhadores, os mais penalizados com a sequência equivocada de aumentos e manutenções dos juros na estratosfera.

A queda livre do desempenho industrial, e consequentemente do emprego, além da pequenez do PIB nos últimos anos –, que agravam ainda mais nossa difícil situação econômica –, caminham em sentido contrário ao da implantação de um projeto desenvolvimentista para o País, com contrapartidas econômicas e sociais para os trabalhadores e para a sociedade, com a geração de empregos, o aquecimento da produção e do consumo e atraindo novos investimentos.

Reduzir drasticamente os juros é fator preponderante para que esta retomada seja concretizada e para que o Brasil reencontre o seu caminho desenvolvimentista, oferecendo oportunidades de trabalho a todos aqueles que, hoje, navegam num mar de incertezas sem saber quando ou aonde vão poder ancorar o barco de sua força de trabalho e do sustento de suas famílias.