Qual o significado do resultado das eleições?

Agentes políticos, cientistas políticos, juristas, todos esperavam um grande número de eleitores ausentes do processo eleitoral recém terminado. Mas a constatação do que aconteceu fez com que até os próprios eleitores se assustassem. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, no primeiro turno entre abstenções, votos brancos e nulos foram mais de 40% em todo o País. No segundo turno, 10, 7 milhões de pessoas, nas 57 cidades que tiveram eleições, deixaram de votar ou anularam, vencendo os votos válidos, no Estado do Rio de Janeiro, na Capital, Niterói, São Gonçalo, Belford Roxo, Petrópolis e Duque de Caxias.
Claro que o direito de não votar também faz parte da democracia. Seria a falência do Sistema Representativo cuja frase “Você não me representa” é a síntese do ânimo do cidadão brasileiro que leva esse comportamento para o nossa Democracia Eleitoral? Estaria o representante distante das expectativas dos representados? Estaria os representados não mais querendo delegar aos eleitos, contestando o monopólio das decisões que antes se restringiam às paredes internas das sedes dos governos e Parlamentos ou uma rejeição aos candidatos que se apresentam? Houve um esgarçamento dessa relação?
Teóricos da Democracia Participativa do século vinte como Carole Pateman, entre outros, viam a representação como “ um processo político que conecta sociedade e instituições”. Essa conexão envelheceu. E não é só no Brasil, mas em todo o mundo ocidental. Não é possível pensar Democracia sem que haja uma interação constante, frequente, entre o cidadão e políticos para além do período eleitoral. Na verdade, a era do encastelamento das decisões ficou para trás. Ainda bem! O agente público que deseja exercer suas funções tem de estar pronto para uma legítima interferência da sociedade civil mesmo que haja alguma tensão em momentos pontuais. Aliás, política é feita de tensões, emoções e razões. Mas que pode ter resultado se o cidadão encontra um ambiente colaborativo para seus anseios. Claro, nada garante que a sociedade tomará parte no processo político. Mas não diminui a responsabilidade dos eleitos em manter um mínimo de diálogo com seus eleitores. A palavra da moda: Democracia Participativa anda ainda de um lado só do muro aguardando pontes de mãos duplas: ora o político pede participação e o povo ignora por sentir-se distante e desesperançoso. Ora a sociedade pede participação e o político se amedronta.
Não podemos deixar de dizer que há, no Brasil, um problema cultural, de Educação, que ainda não conseguimos superar. Um País sem Educação não consegue uma cidadania plena. Apenas para poucos. Assim, se queremos a verdadeira Democracia Participativa, e queremos, precisamos investir na Democracia da Eficiência, entregando ao povo serviço público de qualidade, transparência, sem engodo. Principalmente no que diz respeito aos três pilares que o Estado deve priorizar: Saúde, Segurança e Educação. Não necessariamente nessa mesma ordem. Infelizmente ainda assistimos campanhas eleitorais sem propostas, ofensivas, e que não cumprirão aquilo que prometeram.
Comportamento que atrasará ainda mais o engajamento da população do processo político e fará aparecer, por vezes, figuras que se desmancharão ao assumir qualquer posto. E isso causará ainda mais decepção. Alguns chamam o período conturbado que estamos vivendo de “pausa democrática”. Eu chamaria de transição para uma democracia mais madura, onde vemos as Instituições funcionando independente da personagem que ocupa suas cadeiras, mas impossível sem os mecanismos de participação popular. O sinal amarelo está aceso.