Por um trânsito mais seguro

Dados da Organização das Nações Unidas de 2015 mostram que o Brasil tem o quarto pior desempenho do continente em se tratando da prevenção de acidentes de trânsito, com 23,4 mortes para cada 100 mil habitantes. Outro levantamento da Polícia Rodoviária Federal, que fiscaliza as estradas em todo o País, aponta que em 2015 foram registrados 122.186 acidentes, com 90.278 feridos e 6.870 mortes. No primeiro semestre deste ano foram 3.166 óbitos.

As consequências de estatísticas tão tristes como estas vão além das emocionais, do sofrimento dos familiares e amigos das vítimas. Afeta também o atendimento hospitalar e, por consequência, os gastos do governo na área de saúde. Os levantamentos disponíveis mostram que 60% dos leitos destinados a traumatizados no País são ocupados por vítimas de acidentes, com um custo de R$ 52 bilhões para o Estado brasileiro.

Além das vítimas fatais, dos acidentes de trânsito emerge ainda um número significativo de pessoas que adquirem sequelas permanentes. São, em boa parte, jovens em idade economicamente ativa. Assim, além do trauma familiar gera a perda de força de trabalho ao País.

O debate sobre essa triste realidade provocada pelos acidentes nas rodovias que cortam o País, nas ruas e avenidas de nossas cidades ganhou evidência neste mês de setembro com a realização da Semana Nacional de Trânsito. O mote para a campanha deste ano, encerrada no domingo (25) é: #Eusou+1 por um trânsito + seguro.

Como parte das ações para reduzir os índices de mortes no trânsito a Câmara dos Deputados aprovou em agosto o Projeto de Lei 8.272/14. Ele prevê que as políticas públicas do Sistema Nacional de Trânsito devem voltar-se prioritariamente ao cumprimento de metas anuais de redução no número de mortes no trânsito. O plano deverá ser elaborado em conjunto pelos órgãos de saúde, trânsito, transportes e justiça.

Com a implantação de um plano para reduzir as mortes e lesões no trânsito torna-se possível avaliar com maior acuidade as estratégias adotadas pelos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito. Medidas semelhantes já foram implantadas pela União Europeia desde 2001, com bons resultados.

O Brasil já deveria ter adotado esses objetivos, uma vez que assinou resolução da Organização das Nações Unidas para reduzir as mortes nas estradas pela metade até 2020, na chamada década de ação pelo trânsito seguro (2011-2020).

É indiscutível a necessidade de ações para reduzir o número de mortes no trânsito, já que os indicadores do Brasil estão muito acima do que poderia ser considerado aceitável. Mas que seja uma política permanente, embasada em estatísticas e metas, para que possamos realmente encarar com responsabilidade as mortes e lesões no trânsito brasileiro que poderiam ser evitadas.

E que o trabalho educativo com a sociedade para a prática de uma direção mais segura e responsável, proposta na Semana Nacional de Trânsito, seja permanente, pois comprovadamente a grande maioria dos acidentes ocorre por falha humana, imperícia ou imprudência.

 

Lucas Vergilio é deputado federal pelo Solidariedade-GO e secretário Nacional da Juventude do Solidariedade