Energias renováveis e desenvolvimento social

Fontes do governo federal e do sindicato das indústrias do setor sucroenergético anunciaram recentemente que a safra mineira 2015/16 de cana-de-açúcar deve ficar em 5,3 milhões de toneladas. Mas esse número pode chegar até a 61 milhões. É o que afirmam técnicos do setor, lembrando a possibilidade de um aumento maior da produção a partir de algumas medidas governamentais, como a redução do ICMS do etanol de 19% para 14%, aumentando a competitividade do produto frente aos preços da gasolina.

Mas, pensando num horizonte maior de tempo e de forma mais estratégica, essa força e potencialidades do setor sucroenergético na produção de energia renovável fortalece a possibilidade de o Brasil se destacar no esforço mundial de colocar a economia e demais processos de desenvolvimento humano sobre novas matrizes energéticas.

Sabemos que a energia é uma das bases fundamentais para o desenvolvimento. E há uma relação entre consumo de energia comercial per capita e níveis de desenvolvimento, prosperidade e condições sociais. Na maioria dos países onde o consumo comercial de energia per capita fica abaixo de uma tonelada equivalente de petróleo (tep) por ano, as condições sociais se degradam, com altas taxas de analfabetismo, de mortalidade infantil e de natalidade, com baixa expectativa de vida.

Segundo informações apontadas no documento Agenda Estratégica da Agricultura de Minas, elaborada em 2014, dos países do Brics – Brasil, Rússia, Índia e China –, apenas a Rússia tem um consumo de energia comercial per capita dentro da média mundial, que é de 1,86 tep/hab/ano. Os demais estão abaixo dessa média.

Os Estados Unidos, segundo maior consumidor de energia do mundo, tem 7,5 tep/hab/ano; a Rússia, 4,95 tep/hab/ano; a China, maior consumidor mundial de energia, tem 1,81 tep/hab/ano; o Brasil está com 1,36 tep/hab/ano; e a Índia, com 0,59 tep/hab/ano. Ainda de acordo com o documento, as condições sociais de um país melhoram consideravelmente quando o consumo de energia comercial ultrapassa valores acima de dois teps.

Desde a década de 70, quando foi lançado o Proálcool, o Brasil desperta a atenção do mundo com o andamento desse programa, suas conquistas, desafios, obstáculos e soluções inovadoras para a produção em alta escala. Efetivamente, a bioenergia é uma das soluções para mitigar os impactos dos gases de efeito estufa na atmosfera, como opção para a substituição dos combustíveis fósseis.

De acordo com estudos para a expectativa de evolução da matriz energética brasileira, de 2005 a 2030, haveria no período uma grande redução da utilização de lenha e carvão vegetal, de 13% para 5,5%. E uma elevação do uso de energias renováveis, de 16,7% para 27,6%, oriundas de fontes como cana-de-açúcar e outras. A participação das fontes renováveis permaneceria em torno dos percentuais de hoje, de 47%, e o consumo de energia de fontes não renováveis estaria em torno de 53%. Também no período haveria uma redução da participação do petróleo e derivados de 38,7% para 28%.

Assim, para esses números e expectativas se concretizarem, fica muito evidente a necessidade de fortalecer e dotar de condições adequadas os setores produtivos de energia de fontes renováveis. E, entre esses setores, certamente se destaca o sucroenergético.