Em meio à crise, governo joga a conta nas costas do trabalhador

Em um ano, a indústria e a construção civil encolheram 600 mil vagas. O enfraquecimento da economia levou o setor a cortes reais do salário e o medo do desemprego se tornou um dos principais inibidores das reivindicações trabalhistas.

Descontrole nas contas públicas, recessão, mercado em desaceleração e, no final da ponta, o trabalhador. Em maio deste ano, comparado ao mesmo mês de 2014, o desemprego entre jovens de 18 a 29 anos subiu de 4,9% para 6,7%, segundo o IBGE, ou seja, a fatia do mercado que acabou de se formar não tem novos espaços de trabalho.

O rigor do governo se deu apenas na concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários, que este ano teve novas regras para seguro-desemprego, novo cálculo para aposentadoria, corte de até 30% no salário e redução da jornada de trabalho, como maneira de “evitar” mais demissões de um mercado enfraquecido diante da alta da inflação.

Reduzir a jornada de trabalho é jogar nas costas do trabalhador a conta da desestabilização econômica que é de responsabilidade do governo. Na contramão do Governo Federal, que mexeu nos direitos dos trabalhadores e reduziu os investimentos na área da educação, no Estado de São Paulo, por meio da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, somente em 2015, foram criadas 2700 vagas de cursos profissionalizantes em 14 regiões.

E, pelo empenho do deputado federal Paulinho da Força, o governo recuou de suspender o adiantamento do 13º salário dos aposentados com o argumento de falta de fluxo de caixa. Pressionado também pela opinião pública com a repercussão negativa, o governo não teve alternativa a não ser entregar aquilo que é de direito do trabalhador, que deve ocorrer no fim outubro.

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