Condições para a juventude ficar no campo

O futuro da agricultura depende da sucessão rural, ou seja, que novas gerações assumam os processos produtivos e a gestão da atividade agrícola. Nesse sentido, é positivo que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) trabalhe com mais ênfase na complexa questão da migração da juventude rural para os centros urbanos, que deixa o campo sem gente ou envelhecido. Conter essa migração é uma das propostas em construção no Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, do MDA, e que nos enseja retomar neste espaço essa questão.

Técnicos agrícolas 

Estabelecer as condições para que os jovens permaneçam no campo é um desafio não só do nosso país, mas de todo o mundo. E não se pense que a questão seja apenas garantir renda para a juventude rural, que é fundamental, mas não se restringe a isso. A decisão de migrar ou permanecer no campo também depende das condições de infraestrutura social, como telefonia, inclusão digital, condições para o lazer e a cultura e, principalmente, das condições de segurança, saúde e educação no meio rural.

Sem atentar para essas questões, que podemos resumir como direitos sociais e de cidadania, programas voltados exclusivamente para a garantia de renda não vão conseguir que os jovens se decidam pela vida no campo. E mesmo aqui, quando se trata de programas para geração de renda, é preciso avançar e muito em questões como o acesso ao crédito e à comercialização.

Condições, estruturas e canais adequados para a comercialização da agricultura familiar, por sinal, são desafios que o Brasil vem tangenciando há tempos, sem efetivamente abordar e propor soluções mais definitivas. A agricultura familiar precisa de condições para ocupar os mercados formais de comercialização, ou seja, ir com os seus produtos para além dos mercados institucionais.

O sucesso desse movimento para se chegar aos mercados formais depende muito da participação dos jovens em todas as etapas do processo, e não apenas na produção. Capacidade de gestão, domínio de tecnologias da comunicação, garantia de assistência técnica, infraestruturas produtivas, mudanças profundas na legislação que orienta a agroindústria familiar, acesso a crédito e informações de mercado, por exemplo, são questões em que a presença e participação da juventude são essenciais.

Esperamos que sejam soluções para desafios como esses que estejam em construção no Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, em elaboração pelo MDA. Soluções que precisam avançar para processos além da produção de alimentos. Para apoiar essa etapa da produção temos um arsenal razoável de políticas públicas. Por exemplo, o Pronaf Jovem (crédito); o Nossa Primeira Terra (acesso à terra); a Reforma Agrária, que destina no mínimo 5% dos lotes para jovens; os serviços de assistência técnica – ATER (a partir da safra 2015/16, as Chamadas Públicas para ATER têm de garantir no mínimo 25% de jovens como beneficiários), entre outras.

Trata-se, agora, de reconhecer decididamente o meio rural como uma geografia humana, e urgentemente levar para esses territórios os direitos sociais. Como a educação e a saúde de qualidade, água tratada, moradia e segurança alimentar. E atacar de frente os “eternos” gargalos da agricultura familiar, como as condições para a agroindustrialização e a comercialização de seus produtos.