Alzira Soriano: um ícone feminino na vida política brasileira

*Geraldino dos Santos Silva

Atravessamos, hoje, um período no qual as mulheres vêm, a cada dia, conquistando mais espaços no mercado de trabalho e nas grandes discussões sociais, econômicas e políticas em nível nacional. E isto apesar de todas as dificuldades por elas enfrentadas, muito maiores do que as da maioria dos homens.

Só que, para que chegassem ao patamar aonde hoje estão, foi preciso muita luta e uma dedicação que só quem tem muita fibra conseguiria externar.

Exemplo disto foi a potiguar Luíza Alzira Soriano Teixeira, que, em 1928, então com 32 anos, e apoiada por outra mulher, a advogada Bertha Lutz, uma das pioneiras do feminismo no Brasil, disputou as eleições para a prefeitura de Lages, no interior do Rio Grande do Norte, sendo eleita com 60% dos votos, numa época onde imperava um coronelismo histórico e as mulheres nem sequer podiam votar. Empossada prefeita em 1929, Alzira Soriano ocupou o cargo por apenas sete meses, perdendo seu mandato, no início da Revolução de 1930, por discordar do governo Vargas. Alzira Soriano foi a primeira prefeita de toda a América Latina.

Só em 1945, com a redemocratização do País em curso, Alzira retornou à vida pública, como vereadora pelo município de Jardim de Angicos, onde nasceu. Depois disto foi eleita por mais duas vezes, consecutivamente, liderando a então UDN (União Democrática Nacional), chegando à Presidência da Câmara Municipal por mais de uma vez.

Ícone da participação feminina no cenário político nacional, Alzira Soriano abriu as portas para que outras mulheres decidissem por enveredar pelo mesmo caminho, fazendo com que a política brasileira fosse enriquecida enormemente pela delicadeza feminina e por seu espírito empreendedor. Alzira faleceu aos 28 dias de maio de 1963, aos 67 anos.

*Geraldino Santos, secretário de relações sindicais da Força Sindical e secretário de Políticas Sindicais do Solidariedade