Agricultores já podem renegociar débitos com instituições financeiras

O Espírito Santo enfrenta uma das piores secas dos últimos 80 anos. Além de obrigar as pessoas a viver em situação de racionamento de água, a crise hídrica tem prejudicado cerca de 68 municípios, onde a principal atividade econômica é a agricultura.

Este é o terceiro ano consecutivo de escassez de chuva em nosso Estado. A preocupação é muito grande. Cerca de 16 municípios já enfrentam o racionamento no fornecimento de água oferecido pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan). Apiacá, Conceição da Barra, Barra de São Francisco, Vila Valério, Ecoporanga e Linhares, são alguns exemplos de municípios que estão com o abastecimento realizado em dias alternados ou em horários estipulados durante o dia ou mesmo à noite.

Na agricultura, a situação é ainda mais complicada já que com a seca, produtores vêm enfrentando queda na produção agropecuária e perda total em lavouras devido a dificuldade de realizar a prática da irrigação. Lembrando que, a maioria desses produtores vivem de uma agricultura básica, quase familiar mesmo e, muitas dessas famílias, já pensam em abandonar suas terras em busca de melhor local para viver e plantar.

Diante de situação tão calamitosa, nós parlamentares da bancada capixaba conquistamos uma vitória nesta semana. Após várias negociações com o Ministério da Fazenda, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou agricultores que tiveram a produção prejudicada pela seca e que possuem dívidas ativas de empréstimos com bancos a renegociar os débitos com instituições financeiras.

Esses acordos podem ser realizados com o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Banestes, Bandes, Sicoob e outras instituições financeiras que possuem cerca de R$ 1,7 bilhão em parcelas de crédito que estão vencendo neste ano de 2016.

A quebra da produção deixou milhares de agricultores sem recursos para pagar os empréstimos contratados. A estimativa é que 70% de toda a produção estimada para 2016 já está comprometida e representará ainda perdas significativas na produção agrícola de 2017.

Daí a importância deste acordo que representará uma preocupação a menos para nosso homem do campo, que poderá agora renegociar suas dívidas. Entretanto, a luta não termina por aí e o próximo passo será a liberação para empréstimos que se destinam a arcar com o custeio, a manutenção e os novos investimentos em lavouras, até que a crise hídrica acabe e traga chuva para esse Estado tão castigado.

A expectativa é que ela chegue em outubro. Mas, segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a chuva de outubro ainda não será suficiente para resolver a crise hídrica, mas já será um grande alento para nossos rios e nosso povo, que anseia pela chegada das águas de outubro.

Afinal, no cômputo geral da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Espírito Santo só fica atrás de Minas Gerais em produção de sacas de café, são 9,5 milhões de sacas e será necessário todo o esforço de nós políticos, gestores, produtores e quem sabe a mão de São Pedro para que continuemos firme e alcancemos o primeiro lugar neste ranking de produção.