A posse da vergonha

Estamos vivenciando, neste momento, a maior crise da nossa história: crise política, econômica, social, legal e principalmente moral.

Os crimes praticados por administradores públicos e políticos são tão escabrosos que a população está perdendo o senso do que é certo ou errado.

Quando tomamos conhecimento de um escândalo apurado num dia e imaginamos que chegamos “ao fundo do poço”, no dia seguinte vem um ainda maior.

A apuração da operação Lava Jato é apenas a ponta do iceberg da corrupção nas áreas públicas no Brasil.

Estimativas otimistas dão conta que perdemos 5% do PIB nacional/ano para a corrupção.

O mais triste é saber que o sentimento de impunidade é total, com a quase certeza de que “não vai dar nada” para a classe política.

Observem que ao mesmo tempo em que eram condenados criminosos no “mensalão”, estavam se desenrolando os crimes atualmente investigados na Petrobras, Carf e BNDS. As condenações do mensalão nãos serviram para refrear os ânimos dos “piratas” do patrimônio do povo brasileiro.

A presidente Dilma era presidente do Conselho Administrativo da Petrobras, e mais tarde, Ministra quando a quadrilha já operava e seja por ação ou por omissão é criminosa. Lula foi o maestro e o artífice da ação dos “saqueadores”.

Diante de tanta tragédia para o povo e na iminência do Juiz Federal Sergio Moro, sobejamente amparado em robustas provas, decretar a prisão preventiva de Lula, veio a solução mágica para impedir a ação da Justiça: “nomeie Lula Ministro e ele voltará a ter foro especial, saindo das garras do Moro”.

O que parecia piada de mau gosto, se transformou numa dura realidade marcada para um ato solene e pomposo no Palácio do Planalto. 1500 convidados ali escalados entre autoridades, artistas, movimentos sociais (MST, MTST, UNE e minorias) estavam ali para venerar a volta do “guerreiro do povo brasileiro”.

Quando me certifiquei da realização da cerimônia, tive um sentimento muito ruim e uma angústia de pensar que “acabou de vez”, sentimento este que tomou conta da esmagadora maioria do povo brasileiro.

Pensei comigo: “não posso estimular a população a exigir seus direitos e simplesmente me resignar diante do inevitável. Eu vou lá dizer o que penso e sinto”.

Me credenciei como parlamentar, ingressei no Palácio e no momento em que a presidente ia falar, explodi em gritos o que sentia: “Vergonha Dilma, Vergonha Lula. Vocês fazem o povo sentir VERGONHA, VERGONHA, VERGONHA.

A partir daí as imagens falam por si.

As agressões verbais e físicas que sofri não importam.

Fiz meu papel e farei tantas vezes quantas forem necessárias.

Sou parlamentar com voto popular e não vão me impedir de ingressar em qualquer órgão público e protestar.

Na Câmara e nas ruas tenho ação parlamentar e contra bandidos NINGUÉM vai tirar meu espírito policial.

 

 

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