A Extensão Rural que queremos e o Brasil precisa

Belo Horizonte vai sediar em 19 outubro, na Assembleia Legislativa, mais uma etapa do seminário “A Extensão Rural que queremos e o Brasil precisa”, que vem se realizando em todas as macrorregiões do país, organizados pela Frente Parlamentar de Assistência Técnica e Extensão Rural, que tenho a honra de presidir no Congresso.

Participarão lideranças políticas, acadêmicas e técnicos, dirigentes de empresas, gestores públicos, extensionistas, lideranças de organizações rurais e estudiosos do sistema extensionista, para um debate democrático, com intercâmbio de informações e consolidação de conhecimentos e formulações para o fortalecimento dos serviços da extensão rural e da agricultura familiar.

Orienta essas ações de organização e mobilização o momento histórico que vivemos, com mudanças profundas em todas as áreas e setores de interfaces com os serviços da assistência técnica e extensão rural (ATER).

Num horizonte de poucas décadas atrás, vê-se que mudou completamente o Brasil, mudaram os demandas de consumo da sociedade, são outras e inadiáveis as expectativas das populações rurais. Também mudaram as condições ambientais para a produção agrícola, e sobretudo mudou o perfil político, econômico e social da agricultura familiar, com um protagonismo cada vez maior na agenda de projetos, políticas públicas e outra premissas para o desenvolvimento sustentável rural.

No meio rural ainda vive, trabalha e participa da construção histórica do nosso país uma população em torno de 30 milhões de pessoas. Há extensos diagnósticos, estudos e pesquisas que dão conta de como vive essa população, em termos de infraestruturas econômicas e sociais, de acesso à educação e saúde, habitação e saneamento, enfim, como seus direitos de cidadania.

É nesse ambiente que se realizam os serviços da ATER, que vêm se superando pela capacidade técnica e força do compromisso social de seus profissionais, num meio em que são uma das raras presenças do Estado, quando se trata de levar políticas públicas, parceria e apoio para a promoção da qualidade de vida das pessoas.

Mas aonde se chega assim, com uma força de trabalho que, apesar de se desdobrar em esforços, atende apenas à metade dos cerca de 4,3 milhões de agricultores familiares do país? Como reverter a situação de tantas entidades que enfrentam dificuldades com a falta de mais recursos humanos e financeiros, e atuam justamente nas regiões mais desafiadoras? Como responder, ou contribuir na formulação de respostas, às justas demandas de acesso a direitos de cidadania e a infraestruturas sociais das populações do campo, sem as quais não há possibilidade de sobrevivência da agricultura familiar?

São essas e outras questões, igualmente urgentes e complexas, que trazem para a extensão rural brasileira a necessidade de uma visão estratégica, para que se vislumbre suas oportunidades, mas também os desafios à sua sustentabilidade. Não só devido à criação da Anater (Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural), mas sobretudo pela dinâmica das profundas transformações que vivemos, o seminário “A Extensão Rural que queremos e o Brasil precisa” propõe, principalmente, um olhar para o futuro, para as perspectivas, desafios e oportunidades que o momento histórico nos oferece.

Artigo publicado no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG)