Zé Silva defende pagamento a setor rural pela produção de água

Durante comissão geral realizada no Plenário da Câmara nesta quarta-feira (4) para debater a crise hídrica e energética no País, o deputado Zé Silva do Solidariedade-MG, rebateu as informações divulgadas pela mídia de que o setor agrícola seria o maior responsável pela falta de água no Brasil.

“Às vezes, fazem a conta errada, por meio de uma matemática da qual desconheço o fundamento, de que um quilo de arroz ou um bife gastam tantos litros de água. Na verdade, a agricultura limpa a água. A planta absorve, filtra e transforma em alimento essa água. No máximo 12%, como é o caso dos grãos de soja, de milho e de arroz, ficam no alimento. O restante vai alimentar o ciclo hidrológico”, explicou.

Zé Silva admitiu que o campo utiliza quantidade maior de água. Segundo a Agência Nacional de Águas, a área rural consome 61% da água; as cidades, 27%; e as indústrias, 12%. “Só que as cidades não preservam os rios, as nascentes, os topos de morro, como fazem os produtores rurais,” acrescentou.

Pagamento ao produtor

Ao afirmar que o pagamento pela produção da água no Brasil é “equivocado”, o deputado propôs que o produtor rural que preserva e produz as águas seja remunerado. “Atualmente, o pagamento é feito para quem faz a captação, a distribuição, o tratamento e, principalmente, por quem suja mais a água, que são os 85% da população que estão nas cidades”, destacou.

Ele lembrou que aproximadamente 20% do patrimônio do produtor rural destina-se à reserva legal, para produzir um ar e um meio ambiente mais equilibrado. Assim, em sua opinião, seria justo que os agricultores recebessem pagamento por isso.

Educação ambiental

Zé Silva ainda destacou a necessidade de o Brasil ter um programa de educação ambiental e revitalização dos mananciais que consolidasse todas as ações dos ministérios, dos órgãos do governo federal, em sintonia com estados e municípios. “Aí sim, teríamos muita energia e muita água”, disse.

Segundo o deputado, falta uma política de Estado para a assistência técnica e extensão rural, com o objetivo de orientar melhor os agricultores na área ambiental.

“Isso precisa ser prioridade do Estado brasileiro, se não, as futuras gerações terão que ocupar esta Casa mais uma vez. Os senhores e as senhoras que estão representando a sociedade, as organizações, terão que voltar aqui, porque não é na cidade onde produzimos água, e sim no campo”, declarou.

Participaram da comissão geral deputados e especialistas nas áreas hídrica e energética. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, foi o principal convidado do debate.

 

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