Precisamos mudar o pensamento de que só se pode denunciar se a violência for comprovada

Sendo hoje (25) Dia Internacional ao Combate da Violência contra a Mulher só temos a lamentar, pois eu estando a frente da SECRETARIA NACIONAL DA MULHER DO PARTIDO SOLIDARIEDADE vejo que as estatística só crescem. A violência contra as mulheres constitui-se em uma das principais formas de violação dos seus direitos humanos, atingindo o direito à vida, à saúde e à integridade física.

A violência atinge mulheres de formas diversas, grande parte desses fatos cometidos contra as mulheres é praticada dentro do lar, sendo realizada por pessoas próximas à sua convivência, como maridos ou companheiros, sendo também de diversas maneiras, agressões físicas, psicológicas e verbais. Onde deveria existir uma relação de amor e respeito, existe uma relação de violência.

O assédio também é uma violência que pode ocorrer no ambiente de trabalho, em que as mulheres se sentem muitas vezes intimidadas, devido a este tipo de prática ser exercida, principalmente, por pessoas que ocupam cargos superiores as mesmas.

No Brasil, 43% das mulheres vivem em situação de violência e sofrem agressões diariamente; para 35%, a agressão é semanal (Centro de Atendimento à Mulher). Em média, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada em nosso país. Os dados mostram que no ano de 2017 ocorreram mais de 164 casos de estupros por dia, em média, apenas 10% foram comunicados a polícia.

De acordo com Fórum Brasileiro de Segurança Pública, são mais de 500 mil casos de estupros por ano. A cada dois segundos uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil. Apesar de os números serem alarmantes, muitos casos não entram para as estatísticas porque não são denunciados. Mas o que leva várias mulheres a não denunciarem esse tipo de crimes?

Muitas dessas mulheres que sofrem violência não denunciam por medo de ninguém acredita nela, pois o crime é cometido em quatro paredes e longe do olhar das pessoas e em alguns casos, não deixam vestígios (a violência psicológica), por exemplo. O medo do seu agressor também é um dos fatores que levam as vítimas a não falarem, pois tem medo de morrer.

Quando consegue vencer as dificuldades de fazer uma denúncia, a mulher vítima de violência precisa passar por outro processo, superar a forma como são tratadas nas delegacias. É grande o número de mulheres que reclamam da falta de preparo dos agentes público. O número de Delegacias da Mulher no país ainda é bastante restrito. Milhares de cidades não contam com unidades especiais desse tipo – são 368 espalhadas por 5.597 municípios brasileiros.

Quando se trata de estupro, ou seja, de violência sexual, mexe muito com a autoestima da mulher, ela se sente humilhada, a vergonha que ela sente da própria situação vivida é uma das questões que, mais pesam na história da violência contra a mulher. A sociedade a julga e analisa a sua denúncia como possível falsa, e assim, a faz se sentir mais uma vez constrangida e envergonhada.

Precisamos nos unir para mudar esse pensamento de que só se pode denunciar quando se comprova a violência com testemunhas e provas periciais. Não podemos continuar caladas, temos que dizer basta e ir atrás dos nossos direitos e gritar bem alto para sociedade que somos mulheres e exigimos respeito e credibilidade à palavra dessas mulheres violentadas.

#BASTA A VIOLENCIA CONTRA A MULHER