Paulinho da Força rebate afirmação do governo de que “trabalhador não terá nenhum direito a menos com reforma”

A declaração do presidente da República Michel Temer de que a reforma trabalhista não mexerá nos direitos do trabalhador brasileiro foi criticada pelo presidente nacional do Solidariedade, o deputado federal Paulinho da Força. A afirmação por parte do governo ocorreu no Palácio do Planalto, nesta sexta-feira (12), durante a cerimônia de um ano da administração de Temer.
“Quando você mantém intacto o sistema patronal, você desequilibra a negociação”, explicou Paulinho que complementou: “Neste momento pode ser que não mexa diretamente em direitos, mas se destruir a organização dos sindicatos, os empregadores acabarão com todos os direitos adquiridos, porque o trabalhador não terá força para lutar sozinho”.
O deputado referiu-se a uma regra da reforma trabalhista que decreta o fim do imposto sindical. “Nem na época da ditadura acabaram com os sindicatos, agora em uma democracia querem acabar?”, avaliou Paulinho.
Ele também lembrou que no último ano 52% dos trabalhadores tiveram aumento salarial real – acima da inflação – e que há dois anos esse número era de 92%. Além disso, a existência e ação dos sindicatos ajuda a garantir o pleno funcionamento do mercado interno, pois colabora para que o trabalhador tenha mais recursos para compra e consequente manutenção na produção.
“Agora ouço que a reforma não vai acabar com nenhum direito. O texto que li aprovado na Câmara e que espero que não passe no Senado é uma vergonha. Posso mandar embora o trabalhador e contratar outro como PJ (pessoa jurídica), ou seja, não precisarei pagar férias, décimo terceiro, fundo de garantia…”, falou indignado o presidente nacional do partido Solidariedade.
Em depoimento no plenário do Senado nesta quinta-feira (11), Paulinho já havia apontado outras falhas no texto da reforma trabalhista: “No trabalho intermitente por exemplo, o trabalhador terá que ficar à disposição da empresa, caso esteja impossibilitado porque foi levar o filho ao médico, terá que pagar 50% do contrato”, aponta.
Além disso, o deputado também falou sobre outro item do texto que contempla que o contrato de trabalho possa ser encerrado tanto pelo empregado como pelo empregador e isso, em sua opinião, logo acabará com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
“Eu defendo a livre negociação e até ‘tomo pau’ no sindicato por conta disso, mas esse teto da reforma trabalhista não só tira direitos do trabalhador como parece uma vingança dos parlamentares contra o povo, pela desconfiança que tem nos políticos”, finalizou Paulinho.