Nota de repúdio às declarações do presidente Bolsonaro com relação a Mulher e a população LGBT

A Secretaria Nacional da Mulher e a Secretaria da Igualdade Social do Solidariedade vêm por meio desta manifestar total repúdio à declaração do presidente Jair Bolsonaro, que na última quinta-feira (25), em coletiva de imprensa, ao se ver constrangido por perguntas sobre a rejeição pelo Museu de História Natural de Nova Iorque, disse que o Brasil “não pode ser o País do turismo gay”. “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro”.

Essa declaração vinda da pessoa que comanda o país, é inadmissível e mostrou mais uma vez o seu lado homofóbico e misógino. Jamais podemos tratar a população LGBT como excluída e, muito menos, aceitar que um presidente contribua para a visão mundial de que o Brasil é um paraíso sexual, reforçando uma mentalidade machista que na prática resulta em altos índices de feminicídio e violência de toda ordem contra as mulheres e os LGBTs.

Quando achamos que estamos, mesmo que lentamente, nos afastando da falha histórica de que somos o país do turismo sexual, vem a maior autoridade desse mesmo país e nos faz voltar ao tempo do nosso descobrimento, quando Pero Vaz de Caminha, em sua Carta de Achamento do Brasil, enalteceu as características da nova terra e fez um relato especial sobre as índias, destacando seus “atributos físicos e seu comportamento desinibido a ponto de não terem nenhuma vergonha de andarem nuas”, ou seja, para muitos estudiosos, o processo de formação da imagem do país desde a sua origem sempre conversou com uma possível exploração sexual das terras brasileiras.

De lá para cá, a sociedade foi entendendo, por exemplo, que propagandas veiculadas no tempo da ditadura militar explorando a mulata, juntamente com letras de músicas, se tornou um grande problema e estudos passaram a mostrar que, cada vez mais, jovens e crianças estavam sendo explorados sexualmente, sem falar no aumento significativo de tráfico de pessoas para serem usadas em trabalhos forçados e como prostitutas.

A partir dos anos noventa, a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) vem desenvolvendo campanhas para atrair visitantes para o país utilizando suas belezas naturais, pontos turísticos e história esplendorosa, mas declarações desastrosas como essas pode jogar todo esse trabalho na lata do lixo, e colocar o país de novo como um dos principais pontos de exploração sexual feminina.

Não bastasse esse desrespeito com as mulheres, o presidente joga contra o Brasil ao criticar abertamente as pessoas LGBTs. Se ele quer, ideologicamente, se afastar desse público, deveria pensar de forma mais pragmática. Para se ter uma ideia, somente a Parada do Orgulho LGBT em São Paulo atinge cerca de 3 milhões de pessoas e movimenta R$ 190 milhões em cada edição. Além disso, o turismo LGBT é o que mais cresce no setor. Em 2018, o setor viu um aumento de 11% contra apenas 3% do mercado em geral.

É sempre bom lembrar que ninguém nasce odiando, a gente aprende a odiar e são atitudes iguais a esta que o Solidariedade reprova veementemente, e espera que não se repita nunca mais.

Secretaria Nacional da Mulher e Secretaria da Igualdade Social do Solidariedade