Grupo de Trabalho do Solidariedade debate temas prioritários na área da Pessoa com Deficiência

Neste 2º semestre, o Solidariedade, por meio da Fundação 1º de Maio – entidade ligada ao partido, responsável pelos quadros de formação política -, realiza sete Grupos de Trabalhos (GTs) para debater e desenvolver diretrizes temáticas e de organização para as secretarias de movimentos sociais do partido. O primeiro GT aconteceu nesta segunda e terça-feira (8 e 9/8), no Novotel, em São Paulo-SP.  Participaram do evento ativistas e lideranças ligadas à questão das pessoas com deficiência (PCDs) de cinco regiões do Brasil.

“O objetivo das secretarias é buscar a igualdade diante das diferenças”, explicou o coordenador político da Secretaria Geral, Luiz Antônio Adriano da Silva, para os presentes no encontro. “Vocês têm que ser elevados à condição que os iguala a todos”, completou.

A proposta dos GTs veio do entendimento da Secretaria Geral do partido de que o Solidariedade, por ser uma nova legenda, trabalhou com a urgência de ter uma formação, eleger candidatos e agir no processo do impeachment, mas que é chegado o momento de reforçar a organização e dar ferramentas para que as secretarias de movimentos sociais da legenda sejam atuantes, defensoras das causas e comecem a atuar a partir das demandas da sociedade.

No primeiro dia do Grupo de Trabalho, os participantes debateram a missão, os valores e a visão da secretaria. Defenderam a necessidade de a pasta ser uma agente transformadora para melhorar a qualidade de vida das 47 milhões de pessoas com deficiência no país. Além de incluir temas como informação, inclusão e acessibilidade. Como valores, o respeito, a dignidade, humanização e a independência foram priorizados.

Também foram definidos os temas Educação, Saúde, Trabalho e Acessibilidade a serem trabalhados em caráter prioritário dentro de cada um dos segmentos de deficiências: visão; audição e fala; motora; e intelecto-mental.

“Ainda teremos mais um dia de debates, mas eu avalio o primeiro dia como muito proveitoso. Trouxemos pessoas com informações seguras sobre o tema”, disse a secretária nacional da Secretaria da Pessoa com Deficiência do Solidariedade, Ana Cláudia Bitencourt.

Na manhã do dia 9, a definição do nome da secretaria abriu o debate. Inicialmente, foi proposto Secretaria de Acessibilidade, para que incluísse idosos, gestantes, pessoas com carrinho de bebês, entre outros grupos. Porém, a maioria votou em Secretaria da Pessoa com Deficiência para que se focasse mais o público-alvo, já que o partido também conta com pastas próprias para Mulheres e Idosos.

“Eu sou mãe de duas meninas com microcefalia”, contou Viviane Lima, de Manaus. “Elas não têm nenhum problema com acessibilidade, a dificuldade delas é intelectual. Por isso, eu acredito que Secretaria da Pessoa com Deficiência seja uma definição que inclua minhas filhas”, completou.

Após a escolha, foi debatida a organização da pasta e uma planilha Swot (ferramenta de análise de comunicação) foi elaborada, identificando fraquezas, oportunidades, forças e ameaças referentes à secretaria.

Os assuntos a serem priorizados também foram debatidos no primeiro dia de GT. Cadastro nacional da pessoa com deficiência, mobilidade urbana, fóruns sobre tecnologia de acessibilidade, padronização de vias públicas, criação de centros de estimulação – contendo fonoaudiologia, fisioterapia, odontologia e psicologia em um só lugar-, atendimento ao familiar, obrigatoriedade do ensino de libras a partir do quinto ano para todas as redes e inclusão de pessoas fissuradas no Estatuto da Pessoa com Deficiência para que tenham facilidade no acesso à fonoaudiologia e cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram pontos levantados entre os participantes, que foram divididos em três grupos de discussão.

“Os Grupos de Trabalho são propositivos e não deliberativos. Sendo assim, a Fundação 1º de Maio é executora dos GTs, e o que foi proposto aqui será levado e debatido pela Secretaria Geral do Solidariedade”, reforçou a moderadora do debate, a advogada Denise Neri ao final das atividades.

“Espero que vocês saiam daqui com informações e com a cabeça aberta para continuar o trabalho da melhor forma possível, começando pelo município de vocês. Pequenas ações podem fazer uma grande diferença”, completou Luiz Adriano.

Antes de finalizar o GT, um vídeo foi exibido e, para os deficientes visuais, houve áudio-descrição. No pequeno filme, havia uma máquina “resolvedora de problemas”, instalada em um local público. As pessoas que entravam, ouviam frases de incentivo ditas por crianças, como: “Não fique triste”. Porém, ao final, a tela abria e mostrava que as crianças motivadoras tinham algum tipo de deficiência, que só podia ser percebida com o movimento da câmera.

A emoção tomou conta da sala Bandeirantes III, no Novotel. “Falar depois desse vídeo é muito difícil, mas quero ressaltar que tudo que a gente faz na vida tem que ser feito com paixão”, disse Ana Claudia. “Temos que transformar a realidade do nosso país. Eu acredito que o Brasil tem jeito”.

“O encontro foi ótimo”, afirmou Osório Martins. “Trocamos ideias com pessoas de todas as regiões do País com dificuldades diferentes. A pessoa com deficiência, muitas vezes, é excluída, porque olham primeiro a deficiência, como no meu caso, veem primeiro a cadeira de rodas”, explicou o gaúcho, que passou a utilizar o equipamento após uma reação alérgica de um antiinflamatório utilizado para dor muscular.

Para a dentista Mirede Barbosa Krawczyk, que atende pessoas com deficiência em Fazenda Rio Grande-PA, o encontro superou as expectativas. “A troca de experiências aqui foi muito rica. Eu trabalho com esse foco há 25 anos e sempre para mim é um grande aprendizado de como o ser-humano pode se superar”, disse.

“Nós temos que empoderar as pessoas dentro dos municípios para dar voz a elas, que são fortes, capazes de transpor barreiras inimagináveis pela grande maioria”, afirmou Samanta Costa, presidente da Fundação 1º de Maio.

Por: Talita Benegra

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