Francischini será sub-relator da CPMI sobre a JBS

Francischini

O deputado do Solidariedade Delegado Francischini (PR) foi escolhido como sub-relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades envolvendo a empresa JBS em operações realizadas com o BNDES. A indicação foi anunciada nesta terça-feira (12) durante a reunião da Comissão, no Senado.

Francischini é delegado da Polícia Federal licenciado, coordenou diversas operações da corporação e, como deputado, participou das principais CPMIs do Congresso. Seu papel nessa comissão será levantar informações sobre contratos e financiamentos dos grupos JBS e J&F com o BNDES, além de analisar a delação premiada dos executivos do grupo, negociada com a Procuradoria Geral da República.

De acordo com o parlamentar, seu objetivo é fazer um trabalho técnico e independente na investigação, sem cores partidárias. Além de outras ações, ele pretende solicitar a quebra de sigilo de dados dos envolvidos, documentos já levantados CPI do BNDES do Senado e informações sobre a compra de empresas americanas pela JBS por meio de empréstimos subsidiados. “Vamos fazer o que a população quer: menos politicagem e mais fatos concretos”, comenta.

O sub-relator destaca ainda que o conteúdo apresentado pelos delatores Joesley Batista e Ricardo Saud contém fatos e provas importantes que precisam ser analisados com cautela. “Nós não podemos aceitar que interesses obscuros queiram anular toda a delação premiada da JBS, pois pelo menos 90% dela traz fatos consistentes de crime organizado e corrupção de poderosos, o restante que possa ter sido contaminado por supostas ilegalidades tem que ser anulado, mas temos que separar o joio do trigo”, argumenta.

Para Francischini, é preciso também incluir a Polícia Federal nas negociações de contribuição premiada, como aconteceu com outros delatores ligados à operação Lava Jato. “Assim, traremos estabilidade jurídica e proteção a todo o processo e até para os investigados”, ressalta. “Mas não deve haver espaço para decisões exclusivamente políticas, quem quer anular toda a delação está fazendo jogo obscuro para proteger poderosos que, investigados pelo Ministério Público e pela PF, tentam acabar com provas obtidas”.

A próxima reunião da CPMI foi marcada para a próxima terça-feira (19), com apresentação do plano de trabalho e deliberação de requerimentos.