Augusto Coutinho critica acordo para importação de etanol norte-americano

A decisão do governo brasileiro de aumentar para 750 milhões de litros por ano o volume de etanol importado dos Estados Unidos sem tarifação foi alvo de crítica do líder do Solidariedade na Câmara, deputado Augusto Coutinho (PE). O parlamentar chamou atenção para os prejuízos ao setor sucroalcooleiro do Norte e Nordeste do país. “Essa medida nos preocupa muito, precisamos de contrapartidas. Não podemos, em um momento de safra da cana de açúcar e do álcool, de um setor que gera 300 mil empregos diretos na região, sermos impactados com um benefício fiscal ao governo norte-americano em detrimento do Norte e Nordeste brasileiro”, discursou, nessa quarta-feira, 4.

O Ministério da Economia anunciou a medida no último sábado, 31 de agosto, ao publicar a Portaria 547/2019, e o assunto tem deixado preocupado o setor, principalmente da região Nordeste do país, que é destino para 90% do etanol vindo dos Estados Unidos. Além de decidir pela prorrogação por mais um ano das importações sem tarifação, algo que o setor já havia pedido para que fosse revisto, o governo brasileiro também elevou a cota permitida em 150 mil litros. A renúncia fiscal estimada é de R$ 270 milhões.

Coutinho lembrou que “o pobre Nordeste brasileiro” tem uma economia com fortes bases no cultivo da cana de açúcar e do álcool. “O volume de importação desse álcool no Brasil chegará a 34% do que é produzido na região Nordeste. No Sudeste, isso representa apenas 3% do produzido lá”, destacou. “Praticamente tudo o que é consumido de etanol na nossa região virá dos EUA subsidiado pelo governo brasileiro, e o pior é que estamos em plena safra”, registrou o deputado.

Durante o discurso, o parlamentar apelou para que “o governo faça uma reflexão sobre o impacto que essa medida, em atendimento ao que deseja o governo norte-americano, pode causar na economia do país”. Durante a semana, representantes do setor, a exemplo do Sindiaçucar, se prenunciaram sobre o assunto. A expectativa é de que, caso o acordo não seja alterado, contrapartidas para a exportação de cana-de-açúcar possam ser integradas.