A população brasileira está se tornando mais crítica.

Discutir política sempre foi um tabu a ser quebrado; muitos já leram citações como: “política, futebol e religião não se discute”, “político nenhum presta” ou “votar pra quê? São todos iguais”.

Nas eleições deste ano, as pessoas se tornaram mais críticas com relação à política e aos políticos, pessoas que diziam odiar o assunto, que sequer ligavam para a pauta, tornaram-se analistas e até mesmo críticos sobre o tema: eleições. As redes sociais estão sendo palco de debates homéricos, nunca se viu tantas pessoas interessadas com o resultado das votações, nunca se viu tanta “militância virtual”, pessoas atacando umas às outras e discussões intermináveis em grupos de WhatsApp.

Temos que respeitar o voto e a opinião de cada um, mesmo que estes, não nos agrade. Enfim, aconteceu algo inusitado e que precisamos refletir para não incorrermos no erro de pré-julgar esse entusiasmo e militância repentina.

Eu, pessoalmente, fico feliz em ver as pessoas debatendo assuntos que vão mudar sua vida por meio da política. Sempre defendi o diálogo e acho muito importante que as pessoas manifestem suas opiniões com aquilo que lhe afeta, mas vejo um pouco de exagero neste ano, as pessoas defendem seus candidatos como se eles fossem os salvadores da pátria, se doem como se fosse algo que esta intrínseco, amigos deixando de se falar, grupos familiares se desfazendo por discussões políticas; analisando o comportamento do eleitor, quase poderíamos afirmar que o voto facultativo teria recorde de votação, dado o tamanho interesse da população em defender o seu candidato.

O grande problema de tudo isso, é que as pessoas se tornaram intolerantes, isso, independente do candidato A ou B. Quem defende A vai até as últimas consequências e quem defende B não quer ficar para trás, em suma, as pessoas perderam a noção do debate saudável, este que é necessário para busca da maturidade política que necessitamos para construir um país melhor.

Além do comportamento do eleitor, esta eleição nos trouxe muitas novidades – o “voto de cabresto” deixou de existir, pois as pessoas estão pesquisando seus candidatos antes de depositar seu voto de confiança. A renovação do parlamento foi a maior em 20 anos. Candidatos que nunca fizeram algo de relevante para a população tiveram votações expressivas desbancando políticos tradicionais, com certeza essa eleição fez ascender um sinal roxo para os políticos.

Precisamos e estamos no momento certo para acontecer uma reforma política de verdade, uma reforma não só no papel, mas algo que faça mudar a forma de se fazer política. É possível realizar uma eleição sem gastar milhões de reais, onde os grandes veículos de massa, os governos e os próprios políticos, surfem nesta onda de conscientização política e abracem esse legado positivo que este pleito vai deixar.

Temos a oportunidade de fazer dos eleitores deste país, nossos futuros governantes.

Viva a democracia!