Indústria brasileira dá mais um passo rumo à eletrificação dos veículos – DCI

A indústria automotiva brasileira deu mais um passo no sentido da eletrificação. Agora, já são duas montadoras comprometidas a produzir veículos elétricos ou híbridos localmente: Toyota e Volkswagen Caminhões e Ônibus. Para especialistas, esse tipo de iniciativa será decisiva para a sustentabilidade do negócio no longo prazo.

“A indústria automobilística global está em um momento de transformação sem precedentes na história. Hoje, temos muitas agendas, não só de transformação de produto, mas de modelos de produção, de negócio e de toda a cadeia de fornecedores”, avalia o líder do setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Bacellar.

Segundo ele, a eletrificação já é ponto pacífico na indústria global. Neste sentido, as empresas se movimentam no mundo todo para produzir veículos total ou parcialmente elétricos. No Brasil, a Toyota anunciou nesta quarta-feira (17) a produção local do Corolla híbrido flex, o primeiro a permitir o uso de gasolina ou etanol juntamente com energia elétrica.

O modelo será produzido na fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP) que, segundo a montadora, vem sendo modernizada desde setembro do ano passado, quando foi anunciado investimento de R$ 1 bilhão na unidade. A nova geração do Corolla tem previsão de chegada às concessionárias brasileiras no quarto trimestre.

No final de 2017, a Volkswagen Caminhões e Ônibus também anunciou a produção em série, em Resende (RJ), do primeiro caminhão 100% elétrico do País, o e-Delivery, a partir de meados de 2020.

De acordo com estudo “Tendências-chave até 2030” do setor automotivo, da KPMG, a eletrificação está no topo das prioridades das empresas instaladas no Brasil. Mais de 80% dos entrevistados acreditam que a mobilidade elétrica e híbrida (puramente a bateria ou não) é a tendência-chave no horizonte de pouco mais de dez anos no País.

“Em cinco anos, esperamos que cerca de 5% da frota global de veículos seja de elétricos e, aproximadamente 26%, híbridos”, estima o vice-presidente de marketing, relações públicas e assuntos governamentais do grupo norte-americano Borgwarner, Scott D. Gallett.

Segundo ele, os caminhos para atingir esses volumes são diferentes ao redor do mundo, mas o processo de transição está acontecendo amplamente. “No Brasil, já vemos pequenas mudanças e nós estamos preparados para atender as novas demandas”, garante o executivo da fabricante de sistemas de propulsão.

Gallett pontua que exigências governamentais ajudam a estimular este mercado. “Com a regulação dos países ao redor do mundo apertando cada vez mais em torno da redução dos níveis de emissões, as montadoras terão que oferecer mais produtos do gênero”, salienta.

Ele observa ainda que o consumidor atual quer dirigir um veículo elétrico ou híbrido e as empresas já estão fazendo estudos para avaliar qual o melhor modelo para cada país do mundo. “No Brasil, por exemplo, as distâncias são enormes, por se tratar de um país continental. Neste cenário, o híbrido seria a opção mais viável”, conclui.

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